sexta-feira, 29 de novembro de 2013

About poetry and the Lagoon

Miracles dwell in the invisible
Listen to the sound of Lagoon within you
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It´s Magic - Eddie Higgins

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O Poder dos perfumes

I wish you Love - Sacha Distel
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Confesso que sempre me fascinou o universo misterioso dos perfumes pela possibilidade de nos fazer sonhar. Quanto melhores mais emocionante e mágicos os momentos de sedução que lhes poderão ficar associados - tal como a música já que ambos falam a mesma linguagem (notas, composição, toque, órgão, harmonia, etc.). De facto podemos associar determinado aroma a pessoas específicas ou a momentos especiais guardados na nossa memória olfactiva. Os perfumes podem conter o poder de conferir uma qualidade extraordinária a alguém. Alguém que pode tornar-se mítica(o) quando a sua presença é anunciada por uma aura magnética fascinante, irresistivel e apaixonante que emana da combinação da fragrância que usa com a sua pele - desencadeando um encantamento feito de múltiplas sensações em nós. Ligados sobretudo aos afectos um perfume pode transformar um encontro, um enlace ou um beijo em algo de inesquecível que eleva os amantes e o amor para patamares de excepção. Um bom perfume é aquele que nos dá vontade de cheirar cada vez mais - sem parar, mantendo a sua tenacidade (ligada às notas de fundo) e o seu “rastro” durante um ou mais dias.
A alquimia dos odores pode transmitir-nos sensações ou conceitos como: a classe, o mistério, a doçura, o dinamismo, a sensualidade, a frescura, a tranquilidade - entre outros, que ficam “agarrados” às pessoas que os evocam através de perfumes específicos. Por outro lado a sedução também passa pelo efeito que o aroma tem sobre o próprio(a) utilizador(a), levando a sentir-se sedutor(a) ou audaz, capaz de se ultrapassar nas suas capacidades, etc. Por isso devemos escolher sempre as fragrâncias pelas sensações que nos despertam e reflectem e não pela publicidade ligada a uma imagem que muitas vezes não corresponde ao conteúdo dos frascos de perfume. Assim o aroma sublinhará melhor a nossa personalidade, fará parte de nós e pode tornar-se o odor da pessoa que adquire assim uma “aura” plena de códigos com uma linguagem que nos transporta e atrai a um mundo onde a cultura de sonhos é sublinhada por fragrâncias invisíveis. Em Paris há algumas casas que fabricam o perfume “à medida” da pele (que transporta e modifica odores) de cada pessoa compatibilizando os aromas com os óleos cutâneos e a personalidade de cada cliente (a confecção pode demorar até 6 meses).
Inicialmente produzidos a partir de elementos da Natureza (mormente flores) diluídos, numa primeira fase, em álcool (a 7% são águas de colónia, a 12% são águas de “toilette”, a 18% são “Eau de Parfum” e a partir de 20% são essências ou perfumes) - hoje fabricam-se essencialmente a partir de substâncias sintéticas, embaratecendo o custo e permitindo maior produção e massificação da utilização. Deste modo assiste-se ao declínio dos grandes perfumes e da perfumaria, sobretudo a partir de 1985. O que antes era obra de artesanato cuidado tornou-se uma indústria dirigida quase só ao lucro onde os aromas quase todos não possuem notas de fundo e persistência deixando só um cheiro a produtos sintéticos em todos os utilizadores que ficam todos a cheirar de modo igual ao fim de algumas horas. Por isso considera-se que hoje há poucos “grandes perfumes”. Outrora para fabricar 28 gramas do mais caro perfume de sempre - o célebre “Joy” (o Rolls Royce da perfumaria que era o preferido de Jackie Kennedy) - eram precisas 10. 600 flores de jasmim e 28 dúzias de rosas da Bulgária. Hoje os sintéticos são exclusivamente químicos e mais voláteis. As “notes de coeur” evaporam-se rapidamente. Consomem-se e cheiram-se rapidamente e desaparecem de igual modo. Por isso seduzem ainda os grandes perfumes produzidos no 1º quartel do Séc. XX - que surgem sempre entre os 10 melhores citados por diversas publicações (como p. ex. Shalimar - considerado pelos especialistas como o melhor perfume feminino de todas as épocas). Houve e há perfumes com histórias fantásticas associadas, e que nos contam grandes amores, grandes aventuras sobre pessoas fascinantes ou factos surpreendentes ligados ao seu aparecimento e utilização. O perfume continua a ser um cântico misterioso e poético da Natureza (celebrado por Omar Khayan e Baudelaire), onde podemos reencontrar os nossos jardins de infância, os lençóis perfumados de casa da avó, ou os lábios sedutores de um grande amor.
Mas… apesar de tudo ainda existem hoje bons “perfumistas” com paletas de odores com originalidade e qualidade. Atrevo-me a citar um bom e actual exemplo de uma fragrância de excepção citada frequentemente em diferentes livros sobre a matéria como um dos 10 ou dos 100 grandes perfumes de sempre: Eau d'Hadrien criado em 1981 pela célebre (infelizmente já desaparecida) perfumista francesa Annick Goutal (e talvez o seu maior êxito de sempre). Annick Goutal trabalhava, então em Itália onde criou um maravilhoso jardim olfactivo com frutas maduras ensolaradas às quais adicionou uma “nota” que desenha paisagens na Toscânia - “Les cyprès”. Esta fragrância reflecte o amor de Annick Goutal pelo Sul da Europa e encontrou inspiração nos ecos literários do romance "Memórias de Adriano", de Marguerite Yourcenar. Uma fragrância universal para os amantes do eterno que vogam entre o frescor dos cítricos, à sombra de um limoeiro na Sicília. Um perfume que ama a pele e a ternura com uma doçura quase infantil. Para ambos os sexos é composto por uma mistura de limão siciliano, toranja, tangerina verde, ylang-ylang e cipreste. Um ponto comum entre Sharon Stone, Leonardo de Caprio, Céline Dion e o príncipe Carlos.
É um dos meus favoritos - sobretudo nas manhãs de Verão ou perfumando os lençois da cama. Talvez porque a minha memória olfactiva recorda o marcado e agradável aroma fresco a limões que me rodeava e surpreendia quando, com poucos anos de idade, visitava a casa da Madrinha do meu irmão. Uma senhora alemã a quem ouvia chamar de Fraulein Elisabeth e que muito provavelmente veio para Portugal na sequência da 2ª Guerra Mundial e era colega de trabalho de meu pai. Todas as salas estavam impregnadas daquela fragrância (e impecavelmente arrumadas e superlimpas) fresca e acolhedora - ao contário de outras que visitava e que habitualmente cheiravam a comida cozinhada. Por vezes ainda sonho com o seu jardim de flores, que ficava nas traseiras, e onde entrava como se fosse um caleidoscópio perfumado onde sobre um fundo de aroma de citrinos estendia-se um mar colorido de pétalas onde abundavam as begónias semperflorens. Toda aquela paisagem olfactiva dava uma enorme sensação de bem estar que associo, naturalmente, ao aroma de limões - quando intenso.
«La nature et ses merveilles me guident. Mes émotions deviennent senteurs, j’ai nommé Parfum le rêve qui me porte» (Annick Goutal). 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Uma Exposição e um Livro

Place to be - Hiromi
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EVENTO:
Abertura/Inauguração da Exposição: “Lagoa de Óbidos - Um olhar (Fotografias de Vasco Trancoso) e Lançamento do Livro “Heavenly - A Lagoa de Óbidos” (Fotografias de Vasco Trancoso).
Local: Centro Cultural e de Congressos (CCC) das Caldas da Rainha e Museu do Hospital das Caldas.
Data: Início a 7 de Dezembro de 2013 às 16h e 30 minutos, prolongando-se até 29 de Dezembro de 2013.

Informação:
1 - Trata-se de uma exposição com 62 fotografias (60X60cm e 100X100cm) em simultâneo e em continuidade na Galeria do CCC das Caldas da Rainha (36 imagens) e no Museu do Hospital e das Caldas (26 imagens) sob o mesmo tema (A Lagoa de Óbidos. O percurso expositivo organizado por subtemas permite uma leitura sequencial que se inicia no CCC e termina no Museu do Hospital. 
2 - Trata-se de um livro (com 105 fotografias da Lagoa de Óbidos) editado pela Editora MindAffair com o apoio da Associação Património Histórico das Caldas da Rainha. Para além de integrar prefácios da Associação PH, da Editora, do Dr. João B. Serra e de João Jales conta ainda com um pequeno texto introdutório “apresentando” sucintamente a Lagoa de Óbidos.
3 - Está previsto que após a cerimónia inaugural (16h 30 min) com a presença e a palavra das Entidades presentes haverá visita à Exposição, venda do livro e sessão de autógrafos.

Mensagem:
Caras Amigas e caros Amigos. Ao longo de mais de quatro anos, a propósito das fotos que ia publicando, tive o privilégio de receber os Vossos carinhosos e interessantes comentários - aqui no Blogue Heavenly. Senti de um modo constante os Vossos apoios, sugestões e incentivos no sentido de surgir um livro e ou uma exposição com as imagens colhidas. Não admira, pois, que - em consequência - Vos dedique este sonho concretizado no evento agora programado de uma exposição e de um livro. Não admira que ambicione, naturalmente, que a inauguração da exposição e lançamento do livro seja uma festa celebrando afinal a amizade, a solidariedade e a cumplicidade estabelecida entre todos nós. Por isso conto com todas (os) as (os) que acompanharam com interesse a publicação das minhas imagens. A vossa presença, no próximo dia 7 de Dezembro, será motivo de um grande encontro no qual terei muito orgulho e satisfação.
Até breve. Bem hajam
Vasco Trancoso

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Between the lagoon and the sky

Silence gives answers (Rumi)

Gortoz a ran (Waiting) - Lisa Gerrard and Denez Progent

I waited, waited for a long time
In the dark shadow of brown towers
In the dark shadow of brown towers
In the dark shadow of rain towers
You will see me waiting forever
You will see me waiting forever
One day it will come back
Over the lands, over the seas
Will come back the green wind
And bring with it my wounded heart
I will be pulled away by its breath
Far away by its stream, wherever it wishes
Wherever it wishes, far away from this world
Between the sea and the stars

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Two boats

Lagoa de Óbidos - metade distal (Sul) do Braço do Bom Sucesso

Two boats - Miyuki Nakajima

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O fascínio do Chalet Biester

 Chalet Biester - Sintra, Estrada da Pena

The Ninth Gate Theme - Sumi Jo

Cerca de 1890, Ernesto Biester, rico comerciante de origem alemã e desde há muito radicado em Portugal, elegeu para edificar a sua mansão uma propriedade em Sintra (Estrada da Pena). A execução do chalet – que tomou o nome do proprietário – revelou-se eclética tendo inclusive recebido a colaboração de Rafael Bordalo Pinheiro (azulejos da lareira).
O Chalet Biester apontado frequentemente como sede de vários lendas e mistérios (há quem refira a ligação subterrânea para a Quinta da Regaleira) foi um dos vários cenários do filme The Ninth Gate (A Nona Porta), dirigido por Roman Polanski e onde o actor principal é Johnny Depp, no papel de um compulsivo caçador de livros raros. 

Transcrevemos do nº 4 da revista “A Architectura Portugueza, de 1908”:
“Em detalhe, toda a construcção é um mimo. Exteriormente, o arco abatido que emmoldura a porta dupla de entrada, arco em que se ergue um balcão coberto, constitue, no seu conjuncto, um motivo delicioso em que [José Luís] Monteiro affirma, simultaneamente, o seu valor de constructor e de artista. D’uma grande simplicidade, casando-se admiravelmente com a restante fachada de que esse motivo é a parte central e principal, as columnas que, n’elle, entram, sem deixarem de representar a sua funcção structural, de supporte, são d’uma graça e leveza incomparáveis, e a maneira como Monteiro deu a máxima cor, sem volumes excessivos, a esse detalhe da fachada, é tambem uma affirmação, e boa, da sua valia.
Internamente, se Monteiro teve a collaboração de Manini e Leandro Braga que, sobretudo na sala de jantar, mostrou quão grande era o seu valor de technico e artista, a sua direcção adivinha-se em toda a parte, ainda mesmo n’um ou n’outro ponto em que a phantasia de Leandro Braga, sentindo-se mais à vontade, se expandiu por isso tambem mais livre e acentuadamente. Desenhador d’um valor que, ainda hoje, é lembrado como tal pelos seus companheiros do atelier Pascal, Monteiro, sem prejudicar a visão de Leandro Braga que era o primeiro a respeitar, detalhou até à ultima, sempre que o julgou necessario, qualquer pormenor em que Braga interveio e que Monteiro entendia estar dentro da sua alçada. No resto, Braga, subordinando-se ao plano geral, fez só o que a sua consciencia de artista lhe ditou. E assim, a obra dos dois, se por vezes se funde, funde-se sempre em virtude do esforço consciente de ambos, não trazendo por isso prejuizo a um ou a outro, mas antes dando-lhes mais lustre e gloria.
O parque que, como já dissemos, é obra de Nogré, é uma maravilha. Como Polixénes do “Conto d’Inverno” de Shakespeare, que dizia que “a arte que ajuda a natureza é a arte superior porque é, por assim dizer, ainda a natureza”, o sr. Nogré fez o seu jardim Biester no estylo da paysagem, limitando-se sempre que lhe foi possivel, acabar a obra principiada pela natureza, e isso sem esquecer a casa que o jardim tinha de enquadrar. N’esta orientação, traçou-lhe todas as ruas e alamedas de forma a fazer valer, de todos os lados e o melhor possivel, a silhueta geral do edificio. Ora avultando em pittorescos maçissos, ora ondulando, naturalmente, sem outra cobertura além da que lhe dá a herva cuidadosamente aparada, o parque valorisa-se assim com o mesmo principio de sobriedade que caracterisa, na alternação dos espaços nus e decorados, o estylo romanico. E, correndo em todos os sentidos, ao longo das três faces posteriores da casa, que umas vezes quasi desapparece sob a massa dos seus tufos, outras surge desafogada, e ainda outras apparece enquadrada e recortada da folhagem, esta oferece-se, por esta fórma, continuamente, a quem a olha de fóra, como um elemento sempre original e novo.
Notas: Na casa Biester, collaboraram as seguintes pessoas: mestre Costa, tendo por encarregado de carpinteiros seu sobrinho Carlos da Costa Soares, ambos de Cintra. Este ultimo, quando aquelle se impossibilitou por doença, substituiu-o como mestre da obra até final, mostrando a sua muita competência. Os estuques são de Domingos Antonio da Silva Meira; a esculptura em madeira de Leandro Braga e a pintura decorativa de Luigi Manini, excepto o arauto que se vê na entrada que é de Baeta, tambem distincto pintor. A guarnição de ferro forjado da grande chaminé da sala de jantar é de José da Quinta, artista serralheiro de grande valor.”