sexta-feira, 30 de maio de 2014

City Sickness

Na cidade templo, onde os pilares vivos de edifícios abrigam ecos, perfumes e sons de solidão, passam vultos e palavras cegas numa profunda unidade cor de cinza. 

As cores do poente reflectem-se nos meus olhos em busca do esplendor das ondas e o espírito viaja com a luz na nostalgia dos sentidos.

 
Travelling light - Tindersticks

quarta-feira, 28 de maio de 2014

O Infinito recomeça dentro de momentos

I saw you this morning.
You were moving so fast.
Can't seem to loosen my grip
On the past.
And I miss you so much.
There's no one in sight.
And we're still making love
In My Secret Life.

The Future - Leonard Cohen

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Hora de Almoço


Hora de almoço
Sair do trabalho
Correr para a bicha do transporte
Esperar na fila do restaurante
Tilintam copos
Pratos e talheres acompanham
Vozes que sobem
Por cima de outras vozes ao fundo
Pressa
Mastigação
Palavreado
Mastigação
Bailado dos empregados
Pressa
Conversar
Mastigação
Pressa
Não há tempo para o Tempo
Pagar e correr
Voltar ao trabalho

E neste tempo de almoçar
Passaram minutos de eternidade
Sobre a Terra

A Terra que é um astro

Time - Pink Floyd

sexta-feira, 23 de maio de 2014

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O Túnel

Com a imagem de hoje o meu pensamento e coração vão para as pessoas que atravessam a etapa final do Túnel da Vida: a Velhice.
Há quem diga que é preciso muita coragem para enfrentar os grandes e sucessivos desafios que vão surgindo naquela fase - sobretudo numa actualidade cada vez menos solidária e plena de novas ameaças.
Será bom estarmos atentos e darmos as mãos e Amor ("Love it´s all we need" como cantaram os Beatles) aos nossos Velhos até estes saírem para a Luz que espera ao fim do Túnel. 
The Way Home - Sleep Dealer

quarta-feira, 14 de maio de 2014

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Estreito

Comunicação entre o corpo principal da Lagoa de Óbidos e o Braço da Barrosa

Seoul music - Eddie Higgins

segunda-feira, 5 de maio de 2014

O Portal

Entrada da Basílica dos Mártires na rua Garrett em Lisboa

Hallelujah - Leonard Cohen

sexta-feira, 2 de maio de 2014

O rapaz dos balões

My beautiful balloon - Fifth Domension

O rapaz que vende balões faz parte do mundo mágico de muitas crianças. Em geral, associado a cores, música, circo, doces, espectáculo, vende alegria colorida e flutuante – que nem sempre consegue para si próprio – quantas vezes confrontado com uma vida dura e ou triste. A escolha do contraste a preto e branco, a expressão deste seu rosto e o respectivo contexto circense falam disso mesmo. Contrastes na vida e na fotografia. 
Lembra-me ainda, com saudade, tempos em que à cabeceira das minhas filhas lhes contava histórias do Pirilau dos Balões, que ia inventando, inspiradas numa figura de Banda Desenhada (criada por Cottinelli Telmo), que o meu Pai lera quando jovem e me transmitira. O menino dos balões voava frequentemente, levado pelos balões, para novas e empolgantes aventuras em direcção a lugares distantes e assim também voavam a imaginação e os sonhos. 
Reconhecendo que um dia afinal acabamos por nos encontrarmos todos outra vez como crianças à espera de voar para um mundo melhor – faz sentido uma pequena homenagem ao rapaz dos balões.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

As Tertúlias de Café

Tertúlia no Café Central das Caldas da Rainha no início da década de 1990. Da esquerda para a direita: Mapril Figueiredo, Ernesto Moreira, Artur Maldonado Freitas, António Teles.
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Black Coffee - Ella Fitzgerald
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Na década de 1990, o aparecimento de estações privadas de TV com a consequente oferta de um maior leque de programas e disputa de audiências, acentuou a ligação entre o indivíduo e o ecrã da televisão.
Em 1990, 91% dos lares portugueses possuíam televisão e 25% tinham videogravador. Segundo J. Machado Pais e colaboradores, em 1994, os lisboetas passavam 15 horas e 27 minutos por semana (em média) em frente à televisão, 90,3% viam regularmente TV e 70% possuíam gravador-leitor de cassetes de vídeo. Nesse ano, 95,9% dos lares portugueses tinha TV. Na Europa, o nosso país é o que possui a população mais dependente. Diminuiu, nos cafés, a função de local de noticiário directo porque a televisão passou a propiciar uma vida cada vez menos socializante, isolando o indivíduo.  Com o advento da Net e das redes sociais os cafés cada vez são menos lugares de convívio “ao vivo e a cores” pois o reino virtual pode contaminar facilmente também aqueles espaços – roubando, muitas vezes, o verdadeiro frente a frente entre gente de carne e osso.
Progressivamente tornou-se mais difícil delimitar o café típico, dentro das actuais arquitecturas de consumo, em que as funções se sobrepõem. As pastelarias com acesso à Net e "manjedoura" na qual as pessoas são despachadas, substituem progressivamente os cafés nos quais se podia estacionar à mesa o espírito e entrar num ritual de convívios e encontros. Apareceram estruturas híbridas: cafés-restaurantes, cafés-pastelaria, cafés-charcutaria, cafés-leitaria, cafés-tabaco, cafés-bombas de gasolina, cafés-estações de autocarro, cafés-bares, ciber-cafés.
Diminuíram as relações entre os indivíduos aumentando o "automático", em que a margem de criatividade pessoal é progressivamente menor. Nos novos espaços o mais importante é a forma, a imagem e o lucro. Os cafés passam a usar-se e a despir-se - como os fatos - rapidamente. Apesar de se manterem como locais onde são possíveis ainda "encontros imediatos", o café consome um tempo mais pequeno na vida de cada um.
O tempo de café é, hoje, racionalizado. O espectáculo é quase apenas o consumo em si, e menos o dos "habitués". Assim as pessoas vão-se uniformizando, o convívio vai-se extinguindo (como os cafés típicos), perdem-se os diferentes "tipos" de fregueses e os rituais entre estes. Desaparecem, sobretudo nas grandes cidades, as tertúlias e as figuras típicas dos cafés. Hoje, no reino do efémero, a tradição deixa - progressivamente - de contar, e os cafés oferecem outro tipo de produtos e de espaços. 

Há porém, ainda alguns cafés que continuam a servir para reuniões, conversação, filosofia, escrita, leitura, estudo, mantendo o seu estatuto único onde se confunde o público com o privado. Esses raros estabelecimentos, que sobreviveram, podem continuar a receber artistas, literatos, intelectuais, contadores de histórias, caçadores ou pescadores - afinal os seus habitantes de sempre.
Jardins interiores partilhados onde clientelas cristalizadas no sabor a cimbalino se misturam com os croissants, sandes ou licores, os cafés podem ainda ser lugares de culto, onde realizamos o nosso teatro de todos os dias. Sobretudo aqueles cafés que conservam uma decoração da primeira metade do século XX, mantendo uma poesia que emana da atmosfera especial. Esses resistentes permitem-nos entrar noutras épocas (ainda com alguma serenidade) recuando no tempo ao passarmos pela porta e proporcionando - quem sabe - o prazer de um encontro inesperado, de um gesto ainda humano. Aí podemos comunicar, usufruindo de um lugar de liberdade pelo preço de uma bica.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

E foi Abril

Foto colhida no 25 de Abril de 1974 na rua António Maria Cardoso junto da sede da ex PIDE-DGS. Minutos depois ocorreriam disparos vindos das janelas da PIDE que fizeram mortos e feridos. Muitos conseguiram fugir ou refugiar-se debaixo de automóveis - caso do autor da imagem.


Grandola Vila Morena - José Afonso

quarta-feira, 23 de abril de 2014

O outro lado do espelho

Circo ambulante. Década de 1970. 
O célebre palhaço: Zequinha Elisabeth, na sua roulote, preparando-se para entrar em cena. 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

A sopa

Foto colhida em taberna do Bairro Alto em Lisboa.

The poor side of town - Johnny Rivers 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Minimalismo urbano

Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha (CCC)

Love doesn´t end - Michael Nyman

sexta-feira, 4 de abril de 2014