sexta-feira, 31 de julho de 2026

" Por Que Razão Todos Devemos Comprar Livros de Fotografia "

1 - A magia de uma fotografia só é revelada a 100% quando a imagem é impressa. Perante uma fotografia ampliada e reproduzida em papel descobrimos qualidades extraordinárias que não sentíamos em ecrãs retro iluminados. Para além da dimensão táctil descobrem-se detalhes e leituras. As emoções e a possibilidade de sonharmos ampliam-se. Os fotolivros promovem em nós um Tempo próprio. E diferente do que encontramos em ecrãs retro iluminados. Diferente do que encontramos na Net e nas redes sociais onde as narrativas fotográficas competem e misturam-se num ritmo acelerado e caótico - muitas vezes confuso. Ao contrário, os livros podem criar um envolvimento mais lento e mais concentrado pelo leitor. Assim, vão revelando os segredos que contêm, lentamente, ao longo do tempo. Folhear páginas impressas obriga o cérebro a desacelerar e a analisar a composição, a luz e o espaço negativo com muito mais calma do que num ecrã digital. Não por acaso recebi uma mensagem do David Gibson dizendo a propósito do livro 88 que lhe enviei: The whole thing is bigger, better and more real than the PDF. I see a few images differently, new favourites. I find myself holding this book and wanting to write about some of the photos. As fotografias só atingem o seu estádio final no papel – sentidas com as nossas mãos – e não apenas apreciadas através de ecrãs de computadores ou telemóveis. A fotografia enquanto ficheiro digital pode em qualquer momento desaparecer. Mas num livro fica. Um livro de fotografia estará sempre disponível na nossa biblioteca para ser consultado as vezes que quisermos. Mesmo se um dia houver um apagão digital. 2- Um fotógrafo que quer evoluir no caminho do seu olhar compra livros e não investe em mais equipamento fotográfico Por vezes as pessoas podem dizer que não vale a pena comprar livros de fotografias porque já as viram nas redes sociais. Porém não é a mesma coisa. E um photobook também não é um portefólio. Sem possuir e ver muitos photobooks o olhar estagna. Não se aperfeiçoa e não amadurece. Um fotógrafo que quer evoluir no caminho do seu olhar compra livros e não vive obcecado em comprar mais material fotográfico. O caminho do olhar alarga-se e é mais profundo e produtivo quando se consultam frequentemente bons livros de fotografia. A literacia visual desenvolve-se ao observarmos e ao mesmo tempo integrarmos outras experiências sensoriais. Ao ver muitos livros com imagens feitas por grandes fotógrafos o olhar incorpora-as na memória visual. Isso irá moldar a prática fotográfica de um modo instintivo. No final fazemos Fotografia com o somatório do que somos e do que aprendemos. Os livros de fotografia são essenciais para a evolução de um fotógrafo porque desenvolvem o olhar crítico, ensinam a construir narrativas visuais. Obras de grandes mestres ajudam a moldar a sensibilidade artística Naturalmente, os fotógrafos sentem que a impressão é o corolário natural do seu trabalho fotográfico. Um fotolivro é também a oportunidade para o fotógrafo reflectir sobre o que fez - para melhor equacionar os passos seguintes. O livro é, uma cronologia do próprio fotógrafo e uma ferramenta importante para o autoconhecimento. É “um mundo próprio” mostrando uma voz autoral. Tu vês o que és naquilo que fazes – Shuntaro Tanikawa Os livros, para além de serem capazes de levar o trabalho de um fotógrafo a lugares que as galerias não alcançam, têm uma característica fantástica: são dos poucos objectos que para funcionar e dar prazer não precisam ser ligados à electricidade. 3 – As pessoas sem grandes aspirações fotográficas também beneficiam vendo livros de fotografia. Um ato cultural necessário para o público em geral "The illiterate of the future will be the ignorance not of reading or writing, but of photography" – Walter Benjamin. “The only thing that can make the world a better place is Culture. Money, ambition, jealousy, those will take us nowhere.”- Marc Riboud No século XXI a Humanidade mudou e a Fotografia é a Arte visual com maior impacto. Por esse mundo fora surgiu um renovado interesse pela Fotografia, impulsionado pela era digital e pelas redes sociais. Por exemplo, a Fotografia de Rua tronou-se viral pelo mundo durante os últimos 25 anos, e alguns autores afirmam que representa o maior movimento global que se verificou durante a História da Fotografia. Todos fotografam (basta possuírem telemóvel) mas nem por isso são Fotógrafos - fazendo Fotografia com F grande. Será o público em geral iliterato relativamente à Arte Fotográfica? Continua a existir em Portugal uma grande falta de Culturiosidade em geral e fotográfica em particular. Se olharmos para as redes sociais vemos as narrativas fotográficas competirem e misturarem-se num ritmo acelerado e caótico – onde mais de 90% é lixo fotográfico. As redes sociais actualmente promovem a ignorância e a falta de originalidade. As cópias de outras cópias acumulam-se sem escrúpulos. A contemplação de livros de fotografia é um acto cultural responsável - para toda a gente.

terça-feira, 28 de julho de 2026

88

My second book entitled 88 features an afterword by the British photographer Paul Russell. It is the second volume in a duology that began with my 2020 publication of 99 (99 images). The newly published book (88) measures 330 mm x 225 mm (hardcover), with 184 pages (Arctic Mat paper 170 grams) - Offset printing. Bilingual. Author edition of 500 copies. This photographic collection in “88” features images captured primarily in my home region in Portugal, which includes Caldas da Rainha, Foz do Arelho, and Óbidos. These locations have been largely unexplored by other street photographers. This was a personal pursuit of serendipitous moments, brought to life by the grace of light. Available for purchase from the author. Shipping worldwide. More info about the book and ordering at vasco.trancoso@gmail.com. Thank you.

terça-feira, 21 de julho de 2026

O Caminho do Olhar. A década de 1970. Onde se encontra Eduardo Gageiro e se descobre Tony Ray-Jones. As primeiras lições.

Após a conclusão do curso de Medicina o meu pai ofereceu-me uma Nikon F2 e comecei a fotografar os bastidores de circos ambulantes em Lisboa, os Hospitais Civis de Lisboa (HCL) de então, as denominadas casas de repouso para a terceira idade – que mais não eram do que antecâmara da morte -, os graffitis nas paredes após o 25 de Abril e o primeiro ano (1975) do Serviço Médico à Periferia (SMP). Usava o Kodak Tri-X para o P&B e a saudoso Kodachrome 25 para a cor. As imagens nos diferentes serviços dos HCL, bem como as de casa de “repouso” e as do SMP ganharam, em 1978, forma de livro com o título “Da Vida e da Morte”. Tinha uma nota escrita pelo Professor Fernando Nogueira e nunca viria a ser distribuído pois a editora Mil Dias viria a envolver-se com a tipografia, numa disputa em tribunal, sobre a qualidade de impressão e acabamento. Algumas das imagens dos HCL viriam a ser publicadas no livro “Eanes um Presidente” (2018) juntamente com fotos de Alfredo Cunha e Luís Vasconcelos. Felizmente, em 2013, foram recuperadas e publicadas no livro O Espírito dos HCL sob a responsabilidade da Comissão do Património Cultural do Centro Hospitalar de Lisboa Central. A editora. Mil Dias comprou-me as fotos dos graffitis com cedência de direitos e viria a publicá-las (1978) no livro “Paredes na Revolução” sem referência ao autor das imagens. Aprendi com a minha ingenuidade de então e nunca mais repeti o erro de permitir que as publicações de fotos não respeitassem o respectivo direito autoral. Logo após o 25 de Abril foi irresistível fotografar na rua António Maria Cardoso junto à então sede da PIDE/DGS onde houve confrontos e tiroteio. Aí encontrei o Eduardo Gageiro quando saía debaixo de um carro onde estivera abrigado de eventuais balas perdidas. Com a cumplicidade da proprietária de uma água-furtada, no prédio em frente do da PIDE/DGS, acedemos ao telhado e fotografámos, em contre-plongée, a prisão de agentes daquela polícia política. Mais tarde, já com a situação controlada pelos militares, entrámos para as instalações daquela organização repressiva. Lembro-me que um militar quis oferecer-me como “souvenir” um emblema, dourado e azul, daquela polícia. Não aceitei com receio de alguém pensar que eu era um elemento da PIDE. Assisti ao Gageiro fazer a fotografia icónica do apeamento da foto de Salazar e aprendi duas lições. A observar e reagir no momento certo e a não imitar. Não fiz a fotografia por respeito - porque o Gageiro estava a fotografar e porque percebi que devemos procurar a nossa própria voz fotográfica e não imitarmos a dos outros. Infelizmente hoje, verifico que nas redes sociais se publicam frequentemente fotos que são cópias de cópias e a maior parte não revela um olhar fresco e singular. Eduardo Gageiro viria, no mesmo ano, a convidar-me para expor as minhas fotos com as dele na livraria Bertrand no Chiado em Lisboa. Uma lição de humildade e de generosidade. Lembro-me que no mesmo espaço ocorria, simultaneamente, uma exposição sobre a vigarice cruel de “curandeiros das Filipinas” e dos seus pretensos milagres que em vez se salvar exploravam doentes terminais. Curiosamente, na mesmo evento descobri e comprei na Bertrand o meu primeiro fotolivro. A primeira edição de “A Day Off” de Tony Ray-Jones publicada nesse mesmo ano. Uma inspiração fundamental no caminho do meu olhar - que mudou profundamente. Fiquei extasiado com o seu humor subtil, a ironia e a sátira sociais aliadas a enquadramentos inteligentes e complexos. Descobria a magia da imprevisibilidade e de descobrir os milagres no dia-a-dia aparentemente vulgar. Descobria finalmente que fotografar é um modo de pensar e iniciava a minha coleção de fotolivros.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

F/262 Festival Internacional de Fotografia

É já no próximo sábado dia 18 às 11h 30m. no Centro Cultural das Caldas da Rainha. Inicialmente estava prevista uma apresentação sobre Fotografia de Rua apoiada pelo tradicional esquema feito com power point. No entanto pensei um pouco rodeado da minha colecção de fotolivros e decidi fazer algo diferente. Abordar algo que une todos os que praticam Fotografia a sério. O caminho do olhar. Como a metáfora da viagem a Ítaca o caminho do olhar ensina que o valor maior não está na meta final, mas sim no trajecto percorrido e nas aprendizagens acumuladas durante a jornada. O olhar fotográfico constrói-se progressivamente - moldado pela história, cultura e experiências pessoais. A partir da minha própria experiência irei “confessar” pela primeira vez pequenas histórias no caminho do meu olhar e abordar alguns aspectos da Fotografia.

F/262 Festival Internacional de Fotografia

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Gold Medal

Gold medal. Winning photo at the Refocus Awards Street Category 2026 - Non-professional. Also received a bronze medal. Great! It's an honor and a privilege.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Untitled

Eu estava com a minha câmara, em busca de algo interessante para fotografar, junto a um novo circo ambulante na cidade quando fui abordado por uma senhora idosa, simpática e um pouco extravagante que me perguntou se eu pertencia ao staff do circo e se lhe vendia bilhetes porque ela queria ver o espectáculo. Era engraçada, vestia cores garridas, enquanto falava agitava um pequeno bastão vermelho numa das mãos e transportava uma pequena bolsa vermelha com a imagem de um cão. Quando vou fotografar pelas ruas levo o cérebro formatado para momentos especiais e aquela senhora vestida de “verde gnomo das florestas” pareceu-me uma fada antiga com uma varinha de condão. Eu senti que aquele momento era uma espécie de mensagem mágica subliminar como se algo ou alguém me tivesse enviado aquela personagem para eu fazer a foto. Fiz.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

F/262 Festival Internacional de Fotografia

É com muito gosto que vos convido a participar no F/262 Festival Internacional de Fotografia onde irei realizar uma “talk” sobre “O caminho do Olhar”. A partir da minha experiência pessoal irei abordar alguns aspectos da Fotografia em geral e da Fotografia de Rua em particular. Será no Centro Cultural das Caldas da Rainha às 11h 30m de sábado dia 18. Este Festival está a acontecer nas Caldas da Rainha não por acaso Esta é uma cidade das Artes onde a par de uma Escola de Arte e Design existem mais de 10 espaços museológicos e toda uma tradição de criatividade ligada a grandes nomes como Bordalo ou Malhoa. Parabéns à organização pela implementação deste evento de grande escala.

The Battle

sábado, 20 de junho de 2026