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segunda-feira, 24 de junho de 2013

Entrecruzamento

Crossroads - Eric Clapton and BB King

O Mundo parece um cenário de um filme de ficção científica de uma nova Hollywood à escala mundial onde tudo é possível.
Há um rastilho de revoltas de cidadãos, nas quais há sobretudo uma cada vez maior participação da classe média, que alastram num sincronismo temporal sem aparente causa comum por vários países onde os cidadãos se pudessem demitiam os respectivos Governos. Há sobretudo um descontentamento geral assente em múltiplas queixas contra o Poder Político e o monopólio que este quer continuar a deter, como se fosse essencial para a manutenção do acesso de alguns a uma central de negócios e corrupção eventual, gerando por isso um novo sentido de cumplicidade colectiva popular que tenta pôr em causa aquele monopólio com as situações incorrectas ou injustas que lhe estão associadas - com secundarização dos interesses genuínos dos cidadãos em geral. A rigidez dos mecanismos da Partidocracia, a falta de visão e sentido de adaptação aos desafios locais ou mundiais do Presente - são sentidos como um bloqueio que provoca o desejo, aos cidadãos, em mudar o sistema reformando a democracia. As redes sociais criaram a oportunidade de fazerem nascer um dinamismo e uma autonomia inusitados na sociedade - que os políticos não têm sabido acompanhar. A lógica de Poder está a alterar-se com a percepção dos cidadãos que têm essa força e autonomia novas e que as podem utilizar contra o Poder Político que passa a vida envolvido em maniqueísmos políticos e com alienação na governação, ao mesmo tempo que sempre esteve, e continua a estar, surdo aos múltiplos apelos de senso, justiça, moral, sentido de equidade, sentido de serviço público correcto e ética numa sociedade com desigualdades evidentes e disparatadas que a generalidade das pessoas já não suporta mais.
Ao mesmo tempo a Terra estremece e é palco de um crescendo de catástrofes naturais e ambientais provocadas em grande parte pelo Homem, há um também um novo sentimento global crescendo e unindo populações distantes e díspares revoltadas contra os grandes grupos económicos que dominam o mundo através de um sistema económico estafado - ao mesmo tempo que os cidadãos comuns são cada vez mais espoliados. Como se um novo tipo de confronto Mundial já tivesse começado entre os ricos e poderosos e os pobres que apenas têm o Poder de se revoltarem contra a injustiça. Provavelmente os poderosos já chegaram à conclusão que há gente a mais e a Terra não será viável com uma população crescente. Então, parece, que decidiram secretamente exterminar os mais fracos. Eliminar os Países com economias mais frágeis. Destruir o Passado será imperioso para construir um futuro asséptico só para alguns. E insiste-se na estratégia Económica do costume - sem perceber que afinal a Sociedade de Consumo não é viável pois não é possível resolver a equação de fazer crescer indefinidamente o consumo e a produção. Ainda não se percebeu porém que há entretanto um novo tipo de Sociedade a nascer em que o Futuro será assente noutro tipo de mentalidade, valores e regras. Há que juntar os verdadeiros construtores.
Atenção “claquette”… ACTION…

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Devastation (Sobre a Crise)


" Bab´ Aziz "(Poem of the atoms) - Armand Amar
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Não consigo resistir hoje ao impulso de comentar um pouco sobre a actual crise política e económica em Portugal, atentos os últimos desenvolvimentos nessa matéria.
Sempre entendi que era (e ainda é) providencial que, nestes tempos de crise profunda, surgisse alguém (com credibilidade, autoridade, respeitabilidade, carisma e honestidade) que liderasse medidas e um movimento para a formação de um Governo que incluísse todos os Partidos com vocação de Governo – dando um sinal importante de credibilidade - decisivo para o País e para o seu exterior. Um impulso forte para se começar a obter/ganhar um sentido do colectivo – ausente num povo em que o individualismo é hábito. Mas na sua tomada de posse o Presidente da República deu o mote para agravar a desunião da família política e depois não teve a capacidade de conseguir (será que sequer o pretendia?) o consenso PS/PSD que evitasse que escorregássemos ainda mais para o abismo. Em sequência, e em poucos dias, todos desataram a correr de olhos vendados para o tal abismo confirmando-se que ninguém tem ou teve estatura para o saber ou querer evitar. Ao longo das últimas décadas a Partidocracia foi-se esvaziando de personalidades carismáticas, com qualidade e que inspirem confiança. Pontuam apenas algumas raras figuras que merecem respeitabilidade. Fruto de anos de "boys" sem preparação q.b. para os "jobs" - para além do quase ominipresente compadrio - a posicionarem-se, no aparelho do Estado, e impedindo os homens certos de estarem nos lugares certos.
Dia 23 de Março: a Assembleia da República foi palco de uma patética e irresponsável actuação dos partidos. O PSD liderou uma aberrante aliança direita/extrema-esquerda para liquidar a versão preliminar do PEC 2011, derrubando o Governo (enquanto o P. República fazia de Pilatos) e provocando eleições para daqui a cerca de dois meses. Deu-se uma imagem para o interior do país (e para o exterior) de menoridade, falta de senso e maturidade. Foi com perplexidade e desgosto que a maioria esmagadora dos portugueses assistiu ao debate na Assembleia. A mediocridade e o interesse individual superaram o desejo de resgatar o país de um destino cruel.
Dia 24 de Março: o Dr. Passos Coelho, em Bruxelas, foi forçado a reconhecer que afinal não tinha nenhuma alternativa para o PEC que chumbara na véspera e percebeu que não percebia o suficiente. Mais tarde, em entrevista a um jornal inglês, fez uma fuga para a frente anunciando que o PEC4 foi chumbado porque era “insuficiente” e que apresentaria um ainda mais “duro” – onde constaria mais um aumento do IVA.
Dia 25 de Março: na Assembleia da República a hipocrisia e o oportunismo político voltam a prevalecer. A Aliança direita/extrema-esquerda refaz-se, eufórica, e acaba, a meio do ano lectivo, com 6 anos de trabalho e negociações para levar a cabo uma avaliação justa para os professores.
Dias 26 e 28 de Março: o PSD anuncia que para além de privatizar a CGD, fará futuramente mais cortes nos salários e no 13º mês. Ou seja, o mesmo PSD que chumbou os sacrifícios que se pediam no PEC4 aos Portugueses afinal propõe ainda maiores sacrifícios.
Dia 29 de Março: Passos dá mais um passo e anuncia ao país, e só depois de tudo isto (pasme-se!), que vai finalmente começar a pensar num programa de Governo. Percebemos nós também que para além de ignorância há uma enorme ganância pelo Poder (e a que preço nos vai custar!) – de elementos do Partido com quem está comprometido. Enfim um Passos Coelho refém de lóbis – como é exemplo dar o dito pelo não dito acerca dos medicamentos genéricos.
Perante esta sequência, de apenas alguns dias, os mercados responderam subindo a taxa de juro, dos empréstimos ao Estado português, que andavam perto dos 7% (que já era um exagero) para um valor que ultrapassa agora os 9%. As Agências aproveitaram para dispararem “cegamente” e implacavelmente contra Portugal cortando “ratings” com uma celeridade nunca vista (5 níveis em apenas algumas semanas). Como era sabido, e com os dados que se conheciam antes, ou estas Agências agiam e agem com incompetência ou de um modo predeterminado, desde há muito, como perseguidores a cumprir uma missão (comandada por quem?) de exterminadores da qualidade de vida lusitana. E claro que não deixaram de aproveitar a oportunidade oferecida “de bandeja” durante essa semana em que Portugal deu um triste exemplo de si mesmo. Agora, com a casa a arder, PSD e CDS e Cavaco Silva estudam já um pedido de empréstimo no curto prazo ao FMI, sabendo-se que Bruxelas está contra, enquanto a Irlanda e a Grécia relatam as consequências perversas de terem recorrido ao mesmo FMI. Agora PSD e CDS estudam já, sofregamente, diferentes modelos de acordos/coligações e escolhem listas e futuros ministros como se já tivessem ganho as eleições de Junho próximo. Mais do mesmo.
O cidadão comum tem a noção de que parece continuar a importar aos líderes partidários apenas a sua estratégia individual em vez dos consensos que a grande maioria da população deseja. Onde está a compaixão e fraternidade pelo irmão Português que mora ao lado? Onde está um país de mãos dadas e unido com tenacidade em defesa do País? Quando será que todos perceberão que o Povo Português é ele próprio o D. Sebastião por quem espera há muito? Quando deixarão – cidadãos, sindicatos e comunicação social – de promover um clima crescente de exaltação social e política que representa mais um empurrão para o precipício? Seria importante perante uma missão quase (?) impossível que se avizinha – que todos os portugueses (sobretudo os responsáveis políticos) tivessem uma postura unificadora e serena – consubstanciada em actos no dia-a-dia – e pusessem de lado “azias” antigas, orgulhos e preconceitos. Temos todos de dar as mãos e voltarmos a plantar num terreno devastado. Num terreno de árvores arrancadas. Embora sabendo que vão demorar muito tempo a crescer.