quarta-feira, 19 de maio de 2010

A Aberta da Praia da Foz do Arelho VI

Aspecto geral da praia da Foz do Arelho em 13 de Maio de 2010
. Em 16 de Maio a "Aberta" que o mar rasgou a norte já se encontrava mais reduzida . Com o areal alargado pudemos caminhar (também dia 16) para sul ao longo dos trilhos deixados pelas máquinas . Finalmente a "nova Aberta" escavada no local da primitiva, junto ao "Gronho" permitindo já a actividade piscatória. Foto colhida em 16 de Maio de 2010. . A praia e a povoação da Foz do Arelho (também no mesmo dia 16) com perspectiva da "velha/nova Aberta", a sul, agora reestabelecida.
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Sad romance - Thao Nguyen Xanh

Damos conta mais uma vez (ver "posts" anteriores através da respectiva etiqueta) da evolução da situação da praia da Foz do Arelho através de imagens - que continuaremos a colher. Verificou-se na 1ª semana de Maio o restabelecimento da comunicação entre o Mar e a Lagoa - a sul e no local primitivo da "Aberta" - permitindo finalmente a entrada de alguma água salgada após o encerramento da Lagoa e tentando restituir o ecosistema depois de notícias que teriam morrido alguns peixes e bivalves. A nova "Aberta" apresenta ainda dimensões inferiores ao que foi no passado. Entretanto os trabalhos continuam numa praia que se vai modificando de dia para dia. Uma obra complexa em que não sabemos se as correntes marítimas que continuam a incidir de norte (direcção da "Aberta" nova que o mar escavou) poderão ter ainda alguma influência neste caso - a acompanhar.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Em 1963 - Uma canção mágica

Foto do autor em 1963

Be My Baby - Ronettes

"Be My Baby" é uma canção mítica publicada em 1963, da autoria de Phil Spector (também produtor) com a colaboração de Jeff Barry e Ellie Greenwich, cantada pelas Ronettes (Veronica Bennett, também conhecida como Ronnie Spector, sua irmã Estelle e a prima Nedra Tailey). Atingiu de imediato o nº2 do US Pop Chart e o nº 4 do UK Record Retailer e do R&B chart. Sendo uma das canções mais célebres e apreciadas, desde essa altura, foi considerada pela revista Rolling Stone como uma das 500 melhores canções de sempre, classificada como a melhor canção Pop de todos os tempos - por uma autoridade como Brian Wilson (dos Beach Boys que em resposta compuseram “Don´t worry baby”) e apresentada por Dick Clark (American Bandstand) como o disco do século (XX). É mais um produto do cesto de Spector - a merecer também muita atenção. Além das Ronnetes colaboraram Hal Blaine na bateria (que é decisiva) e Darlene Love e Sonny e Cher como “backup vocals”. Alvo de múltiplas “covers versions” (Andy Kim, John Lennon, The Lightning Seeds, Blue Oyster Cult, Linda Ronstad e outros) fez parte da banda Sonora dos filmes: “Mean Streets” (1973) de Martin Scorsese e de “Dirty Dancing” (1987). Ninguém fica indiferente à sua magia. Lembro-me que era uma das canções preferidas dos namoros da altura e que a utilizava, durante os bailes de garagem ou organizados em casa de outros adolescentes, para conseguir atrair a atenção “from the girl in my dreams”. Então combinava com um amigo que, coordenado comigo, punha a tocar “Be My Baby” enquanto eu ia entrando na sala do baile – caminhando “softly” e ao ritmo empolgante da bateria (os 10 segundos iniciais são fundamentais) na introdução da música (em crescendo e criando um “suspense” muito especial até “desaguar” numa festa - das vozes do conjunto) em direcção à rapariga por quem estava apaixonado – responsável por um “Síndroma febril indeterminado” que eu apresentava havia algumas semanas. Havia um magnetismo especial no ar e sentia que era como se fosse transportado sobre uma nuvem em direcção à “nuvem” dela que convergia também para minha ("Heavenly" of course). No centro da sala de baile, os pés flutuando alguns centímetros acima do chão encontrávamo-nos e enlaçávamo-nos – com uma cintilação mágica nos olhos – ao som de “Be My Baby”. Isso mesmo. Uma cintilação mágica. E garanto que nada vale a pena sem cintilação mágica. Experimente agora. Faça novamente “Play” na barra da música, feche os olhos… imagine e vá… Quando os abrir de novo estarão certamente a cintilar.

sábado, 15 de maio de 2010

A Gárgula

Igreja de N. Sra do Pópulo – Hospital Termal das Caldas da Rainha .

Entregue a si própria a gárgula protectora do templo gargareja segredos antigos no silêncio da cal. Linguagem esquecida que parece já ninguém conseguir entender.
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Magnificat - Arvo Part 

sábado, 8 de maio de 2010

Still burning

Detalhe de pintura - Acrílico sobre tela (1mX1m). 2006
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Light My Fire – The Doors

quinta-feira, 6 de maio de 2010

The Sea of Love

 
Sea Of Love - Phil Phillips

"Sea of Love", da autoria de Phil Phillips com os Twilights, quase conquistou o 1º lugar do Top 100 dos “chats” pop nos USA, em 24 de Agosto de 1959, mas teve de se contentar com o segundo lugar. Ficou 14 Semanas no Top 40 e atingiu o 1º lugar na R&Blues “chart”, vendendo mais de 2 milhões de cópias. Foi um dos temas mais tocados durante os anos 50. Em 1958, Phil Phillips (nascido John Baptiste) foi um jovem guitarrista frustrado que trabalhava como mensageiro de hotel em Lake Charles, LA. Baptiste escreveu "Sea of Love" serenata para uma paixão. Um dia, foi ouvido por um amigo de George Khoury, um produtor local, que havia trabalhado com um grupo feminino chamado “Cookie and the Cupcakes”. Khoury Baptiste acrescentou algumas vozes, em estilo “doo woop” como fundo, e gravou a canção após sucessivos “takes”. Antes do lançamento, Khoury sugeriu a Baptiste que deveria usar antes o seu nome do meio, Phillip, e o nome “artístico” ficou Baptiste Phil Phillips. A canção foi publicada, inicialmente, por uma editora independente da propriedade de Khoury, mas começou a vender tão bem que a Mercury Records passou a ser a distribuidora. Apesar de ter Brook Benton e os Jordanaires como vozes de apoio e produção de Clyde Otis, o recém-baptizado Phil Phillips nunca iria ver o Top 40 novamente. Del Shannon refez "Sea of Love" em 1982 e alcançou o 33º lugar, os “Honeydrippers”, dois anos mais tarde, duplicaram o sucesso inicial. Mais tarde, ainda na década de 80, Phillips produziu a canção para os “Fire Ants”, um grupo que integrava cinco de seus filhos. Mais recentemente (1989) a canção foi o tema central de um filme intitulado também “Sea of Love” (em Portugal teve o nome de “Perigosa Sedução”), com Al Pacino e Ellen Barkin – confirmando o seu estatuto de disco de culto.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

À Janela da Infância

Todos temos uma janela na nossa infância. Essa janela teve/tem um papel importante de entre todas as janelas da nossa Vida. Uma janela por onde espreitávamos sinais do exterior à descoberta de um mundo novo. Lembro-me de ficar ancorado muito tempo àquela janela assistindo ao desfile das vendedoras de água de Caneças sobre o ritmo da flauta do “amola tesouras e navalhas” e à passagem da mulher da “fava-rica”, do homem do “Ferro-velho” e da voz dos cegos cantores ambulantes que distribuíam um folheto que não viam com a história de uma coxinha - acompanhados na sua cantoria pelo som desafinado de um “acordeon”. A rua era animada ainda, ocasionalmente, por uma tenda de fantoches que andavam sempre à paulada uns com os outros sem se perceber porquê e pelos pregões das varinas e das vendedeiras de “figos de capa rota”. E havia o fascínio dos Saltimbancos que surgiam como num filme de Fellini, envolvidos no estrondo de tambores e no sopro estridente de instrumentos de metal.
Estendiam um enorme tapete colorido, que imaginava oriundo de alguma cidade misteriosa do longínquo Oriente, sobre o qual actuavam o engolidor de espadas e soprador de fogo, bem como uma rapariguinha de aparência frágil e com olhos tristes que fazia contorcionismo. Antes de um rapazinho de boné na mão vir recolher a generosidade alheia - tinha lugar o número final: A célebre “Dança da ursa”. Então, ao som de uma música impossível, uma forma vagamente humana, vestida com um fato coçado a imitar um urso, bailava em círculo com uma corrente, atada a uma das pernas, conduzida por um domador de bigodinho à Errol Flynn. Para além do som distante do circo que passava à frente da minha janela da infância, guardo na memória algo que tinha muita importância. As outras janelas que avistava da minha. Interrogava-me sobre as pessoas por detrás de cada vidraça. Que alegrias, tristezas, emoções se estariam a passar, naquele mesmo momento, no interior de cada casa. Durante a noite dormíamos afinal na mesma rua separados pelas janelas. Imaginava os prédios de repente transparentes e as eventuais histórias, ambientes e cores. Pessoas que ora riam, amavam, choravam ou sonhavam. Mas como não era assim restava-me tentar decifrar os vultos por detrás dos cortinados ou recortados pela luz que vinha do interior das vidraças. Havia no entanto uma janela especial no 3º andar, do prédio azul, mesmo em frente. Era especial desde o dia em que se abrira para deixar passar uma jovem adolescente de cabelos longos que sorria. Sorria sempre como uma princesa que acabava de sair de uma história do jornal infantil que eu lia: "O Mundo de Aventuras". Consegui saber que se chamava Ana Paula e estranhei uma sensação nova e inexplicável. Quando olhava aquela janela sentia um bater de asas dentro do peito e uma emoção que antes nunca experimentara. Associava então a sua imagem à canção "Amapola" que se ouvia na telefonia interpretada por vozes como Tito Schipa, Luis Alberto del Parana & Los Paraguayos, os Lecuona Cuban Boys, ou os Cinco Latinos. Talvez porque a palavra Amapola quase faz lembrar Ana Paula. Aliás era só substituir na letra da canção Amapola por Ana Paula (embora Amapola signifique: papoila - em espanhol, língua em que a canção foi inicialmente composta). De vez em quando lembro-me e regresso à janela da minha infância… onde se reflecte outra janela.
Todos temos uma janela aberta sobre a nossa infância. Todas trazem sobre o parapeito um pequeno pedaço da nossa própria história.
 
Amapola – Andrea Bocelli

sexta-feira, 30 de abril de 2010

quarta-feira, 28 de abril de 2010

As águas do silêncio

O silêncio azul e ocre corre interminavelmente para o momento verde de um barco onde parte a luz que trago comigo em busca do cais da ternura.
The Lake - Antony and the Johnsons 

sábado, 24 de abril de 2010

A Aberta da Praia da Foz do Arelho V



Na continuidade dos posts anteriores mostrando a evolução dos acontecimentos na praia da Foz do Arelho e da sua “Aberta” para o mar, apresentamos imagens realizadas no dia 22. Depois de uma 1ª camada de pedra foi-se colocando a areia, entretanto armazenada na margem sul da “Aberta”, para tapar aquela comunicação. Com alguma dificuldade devido às correntes (que impediram o encerramento, arrastando a areia para o interior da Lagoa, nos dias 20 e 21) lá foi surgindo um istmo unindo as 2 margens. Ainda estreito e insuficiente mas isolando já a Lagoa de Óbidos. Como ainda não está aberto (só iniciado) um canal de comunicação com o mar, no sítio de sempre da “Aberta", junto ao Gronho - a Lagoa está com as águas paradas e sem a oxigenação e mistura de águas habitual para manter o seu ecossistema. Esperamos para ver a evolução da situação e a resposta do Mar. Julgo que este fenómeno enquadra-se num conjunto de alterações ambientais e de catástrofes naturais cada vez mais frequentes que resultam do aquecimento global e de um planeta maltratado pela Humanidade. Diga-se de passagem que são múltiplas as referências por todo o país sobre o desaparecimento de quilómetros de praias. Ou seja: somos uma nação que está a encolher. Aproveitamos para informar que há 2 dias atrás foi noticiado existir já uma decisão para que o Museu de Cerâmica seja alargado para os espaços em volta – ficando posta de parte a sua instalação nos Pavilhões do Parque, tal como defendemos no nosso post do dia 10 de Abril passado. Congratulamo-nos, em consequência, com a solução final. Sabemos que o IPC esteve atento ao nosso post. Saber ouvir/ler os outros é um bom sinal. Estão, pois, de parabéns todas as Instituições envolvidas.
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A Change Is Gonna Come - Solomon Burke 

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Cumplicidade

Phellinus torulosus - Mta das Caldas da Rainha
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Projecto de musgo Aninhado Ao colo do cogumelo Lento amor Na música da manhã A quietude das cores Como uma nave Pairando No espaço infinito
(VT)
Beauty of dreams – Sigur Rós 

terça-feira, 20 de abril de 2010

Da Arquitectura da Terra

Sementes de Plátano
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Sonata N. 21, D 960 (Schubert) - M. João Pires 
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Depois das nossas folhas e flores caírem
No foco do silêncio
Apenas o peso das sementes que deixarmos
Será determinante
(VT)
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Hoje é dia do 1º aniversário do blogue Heavenly. Durante este 1º ano publicámos 231 posts (1 filme e 236 fotografias, sendo 10 de quadros com pinturas em acrílico), quase sempre acompanhados por “banda sonora”, e recebemos 35.771 visitas oriundas de Portugal, Holanda, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Luxemburgo, Irlanda, Inglaterra, Itália, Noruega, Suécia, Finlândia, Suíça, Austria, Polónia, Hungria, Rep. Checa, Roménia, Ucrânia, Croácia, Bulgária, Slovakia, Grécia, Rússia, Estónia, Angola, Moçambique, África do Sul, Marrocos, Argélia, Tunisia, Turquia, Egito, Israel, Kuwait, Arábia Saudita, Japão, Kazakhstan, India, Paquistão, Nepal, Indonésia, Malásia, Tailândia, Vietnam, Macau, Coreia do Sul, Nova Zelândia, Austrália, USA, Canadá, Bermudas, Brasil, México, Equador, Argentina, Chile, Peru, Paraguai, Uruguai, Colômbia, etc. Cabe pois agradecer a Amizade, a Ternura, a simpatia, as emoções, o apoio e os incentivos recebidos por parte de todos quantos, de diversos modos, nos acompanharam nesta aventura pela blogosfera. Um reconhecimento muito especial é devido a quem interveio mais activamente através de comentários – sempre tão importantes para a vida de cada blogue -, e para 112 amigos (as) que seguem atentamente a evolução do Heavenly através da inscrição na aplicação “seguidores”. Este post – bem como o próximo, celebram pois, simbolicamente, os laços e as cumplicidades desenvolvidas entre todos que se encontraram aqui na estética muito própria deste espaço “descobrindo-o” e proporcionado uma aprendizagem recíproca. Este pedacinho de mim que se chama Heavenly ficou muito sensibilizado. Bem hajam VT

domingo, 18 de abril de 2010

White and Black

"Os Sulcos da Memória"
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O rumor do pulso, a lentidão
do mar
na dobra do lençol,
as inumeráveis
vozes do verão em ruína
- a carícia hesita entre os olhos
e a mão
(Eugénio de Andrade in "Os lugares do lume")
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Nights In White Satin - The Moody Blues 

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A Aberta da Praia da Foz do Arelho IV


On Stream - Nils Petter Molvaer

Como uma pequena “reportagem” fotográfica e dando continuidade aos posts anteriores (de 13 de Janeiro, de 8 de Fevereiro e de 13 de Março de 2010 – pf clicar na etiqueta em baixo sobre a Aberta), mostramos mais uma imagem sobre a evolução da praia da Foz do Arelho e respectiva Aberta para o mar – que se deslocou de sul (junto ao Gronho) para norte, onde se encontrava a praia. Depois de uma tentativa de se fechar a “nova” Aberta com grandes pedras, agora transportam-se grandes quantidades de areia para a zona da Aberta no intuito de a tapar. Podem observar-se na imagem os montes que se estão acumulando junto da actual entrada do mar para a lagoa. Julgamos que depois tentarão reabrir uma nova comunicação no local onde se encontrava anteriormente. Vamos assim assistindo, mês após mês, a este interessante caso em que se trava mais um “braço de ferro” entre o Homem e a Natureza

sábado, 10 de abril de 2010

A questão dos Pavilhões do Parque e do Museu de Cerâmica das C. da Rainha



 
2046 - Main theme
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Há algum tempo atrás foi noticiado, pelo Presidente da Câmara Municipal, o desejo de integrar nos edifícios emblemáticos e de grande importância patrimonial que são os Pavilhões do Parque das Caldas - o futuro Museu de Cerâmica das Caldas da Rainha, composto pelo acervo existente no Palacete Visconde de Sacavém (actual Museu de Cerâmica das Caldas da Rainha) acrescido de outras aquisições efectuadas ou a efectuar. Esta notícia surge na sequência do actual Conselho de Administração do C Hospitalar Oeste Norte ter deliberado estar disponível para ceder parte daqueles Pavilhões para aquele efeito. Sucedeu-se alguma polémica sobre a matéria e não me furto a emitir a minha opinião como cidadão já que esta matéria e o futuro do Património Termal das C. Rainha (o Espírito de Lugar) tem importância não só local mas também nacional. Como alguém já chamou a atenção, está a colocar-se o “carro à frente dos bois”. Ou seja, em 1º lugar deve existir um projecto, para o futuro museu, que apresente a estratégia/lógica dos espaços e as áreas necessárias, após a inventariação dos diversos acervos. Esse projecto deverá ser, obviamente, ser executado pela actual equipa responsável pelo Museu de Cerâmica. Só depois se deveria procurar o espaço mais adequado. O actual recheio do Palacete Visconde de Sacavém e o próprio edifício são indissociáveis cultural, física e historicamente. O Palacete foi mandado construir, no final do Séc. XIX pelo Visconde – como “Atelier Cerâmico”. A sua própria ornamentação integra cerâmica original da colecção e da Fábrica do Visconde. Foi ainda palco da formação e de exposições de cerâmica de vários artistas caldenses. Tendo em conta todo aquele passado, o Estado adquiriu, em 1981, o edifício e respectivo acervo. Uma Comissão criada para o efeito instalou-o e inaugurou-o em 1983 com o nome de Museu de Cerâmica. Acresce que existem terrenos contíguos pertencentes à Câmara Municipal que poderiam adaptar-se como extensão do actual Museu de Cerâmica albergando novas colecções – amplificando-o e dignificando-o. Por outro lado a viabilidade das Termas Caldenses prende-se também com a necessidade de procurar manter toda uma herança patrimonial, transmitida ao longo de gerações durante mais de cinco séculos. É essencial a compreensão de que todo o Património Termal Caldense, associado ao H. Termal, tem não só como origem o legado da Rainha D. Leonor e sucessivas doações, mas também de que essas sucessivas doações obedeceram quase sempre a uma estratégia global para todo o Património Termal, articulando, ao longo do tempo, de um modo complementar e sinérgico as diferentes peças que compõe a actual Estância Termal das Caldas da Rainha. Foram excepção os Pavilhões que foram pensados e executados como Hotel (um modelo termal que continua actual) para os aquistas, complementando as outras peças da estância termal das C. da Rainha. Acabaram por ser, abrigo de refugiados de diversas guerras, quartel, estabelecimento de ensino, etc. O Futuro deveria conter a oportunidade de corrigir situações menos conseguidas no passado e adaptar os Pavilhões a uma função que se articulasse com o termalismo – potenciando-o. Aquele princípio que se tem transmitido, desde os antigos Provedores é afinal uma mais-valia fundamental para a estratégia termal e concelhia. Essa unicidade funcional significa que o eventual destino de cada uma das peças patrimoniais não deve ser pensado isoladamente, mas antes respeitando uma lógica que assentou numa agregação sucessiva de Património e não na sua desagregação. Em consequência da criação de um Centro Hospitalar do Oeste Norte / novo Hospital há uma nova “formatação” institucional voltada para a vertente Doente agudo/H. Distrital, tornando-se evidente que o “cordão umbilical” que ligava o H. Distrital das Caldas à Estância Termal, irá inexoravelmente enfraquecer. A instituição que vier a ser criada para gerir a Estância Termal das Caldas da Rainha irá precisar dos Pavilhões para (eventualmente como unidade hoteleira estendendo-se até à zona da Parada no Parque) conseguir viabilidade e sustentabilidade económica para o relançamento do termalismo nas Caldas da Rainha. Retirar-lhe essa hipótese no futuro é “cortar-lhe” as pernas à partida. Só a existência de algo muito ponderoso e importante poderá fazer considerar o aparecimento de outras soluções menos adequadas. Ou seja e em conclusão… O Museu de Cerâmica das Caldas (Nacional – ou não) deveria, em meu modesto entender, e após execução de projecto adequado, estender-se para os terrenos contíguos ao Palacete Visconde de Sacavém – preservando este como núcleo inicial. Os Pavilhões deveriam ser enquadrados/integrados, juntamente com o restante conjunto patrimonial termal das C. Rainha, numa nova Entidade (por exemplo: uma Fundação) - que, para além da respectiva gestão, privilegie um moderno relançamento do termalismo Caldense.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Laying on the grass

O Universo começa a suspirar
Exactamente AGORA
Neste encontro rente à relva
Tu e eu
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Green Grass – Tom Waits

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Caminho de flores

Oxalis pes-caprae, vulgarmente conhecida por erva-canária, erva-azeda-amarela, trevo azedo ou erva mijona é uma planta da família Oxalidaceae oriunda da África do Sul e subespontânea na região mediterrânica e Europa Ocidental, florindo de Janeiro a Abril. Tóxica (oxalatos) quando ingerida em grande quantidade. Actualmente polvilha a Mata das Caldas transformando o planalto dos plátanos numa aguarela impressionista.
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Clair de Lune – Claude Debussy 

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O Charco

No charco
A clareira da pedrada
Inesperadamente
Pedaços de céu Iluminam o fundo
Descobrindo outras palavras
A luz desce ao poema
Uma nuvem flutua na água
No regresso da profundidade
Trazemos outros sonhos
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Energy Flow - Ryuichi Sakamoto 

domingo, 4 de abril de 2010

Memories

(Detalhe da fonte da Quinta da Boneca em Caldas da Rainha)
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A FONTE
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Ouve a fonte translúcida da quinta
Cercada de varandas onde a ausência
De alguém eterna mora e se debruça
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(Sophia de Mello Breyner Andresen in "Coral")
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Their Memories - Brian Eno & Harold Budd 

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Folha de Plátano


California Dreaming (All the leaves are brown) – Mamas and Papas

As folhas dos plátanos desprendem-se e lançam-se
na aventura do espaço,
e os olhos de uma pobre criatura
comovidos as seguem.
São belas as folhas dos plátanos
quando caem, nas tardes de Novembro,
contra o fundo de um céu desgrenhado e sangrento.
Ondulam como os braços da preguiça
no indolente bocejo.
Sobem e descem, baloiçam-se e repousam,
traçam erres e esses, ciclóides e volutas,
no espaço escrevem com o pecíolo breve,
numa caligrafia requintada,
o nome que se pensa,
e seguem e regressam,
dedilhando em compassos sonolentos
a música outonal do entardecer.
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São belas as folhas dos plátanos espalhadas no chão.
Eram verdes e lisas no apogeu
da sua juventude em clorofila,
mas agora, no outono de si mesmas,
o velho citoplasma, queimado e exausto pela luz do Sol,
deixou-se trespassar por afiados ácidos.
A verde clorofila, perdido o seu magnésio,
vestiu-se de burel,
de um tom que não é cor,
nem se sabe dizer que nome tenha,
a não ser o seu próprio,
folha seca de plátano.
A secura do Sol causticou-a de rugas,
um castanho mais denso acentuou-lhe os nervos,
e esta real e pobre criatura,
vendo o Sol coberto de folhas outonais
medita no malogro das coisas que a rodeiam:
dá-lhes o tom a ausência de magnésio;
os olhos, a beleza.
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(António Gedeão, Poemas Póstumos)