sexta-feira, 13 de março de 2020
segunda-feira, 9 de março de 2020
quarta-feira, 4 de março de 2020
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020
sexta-feira, 31 de janeiro de 2020
segunda-feira, 27 de janeiro de 2020
sexta-feira, 24 de janeiro de 2020
99
As pessoas interessadas podem
encomendar o livro através do meu email:
vasco.trancoso@gmail.com
Muito obrigado
Interested people can order
the book through my email:
vasco.trancoso@gmail.com
Thank you
quarta-feira, 15 de janeiro de 2020
domingo, 12 de janeiro de 2020
99
99 is a photobook name.
It has 240 mm X 300 mm;
hardcover coated imperial fabric; 144 pages (Artic Mat paper 170 grams) with 99
photos - Offset printing; paper guards Tintoretto Ceylon Black Pepper with
white printing (screen printing); Author edition of 1000 copies. Currently
Available 550 (450 pre ordered). Launch on January 19th (Sunday) at 16h30m at
the Caldas da Rainha Cultural and Congress Center. Bilingual.
For about 3 years (2016-2019) I
photographed daily life of Caldas da Rainha (where I live) and Óbidos - in
public places (streets, beaches, museums, etc.). Book “99” is the final step of
this work featuring a selection of 99 photographs.
The work had the contribution
of two internationally renowned photographers:
David Gibson (co-founder, in
2000, of the In-Public collective - 1st Street Photography blog - and author of
several books on photography - of renowned prestige) who wrote the Essay at the
end of the book and by Paulo Abrantes - Portuguese photographer appreciated and
distinguished on worldwide platforms where he has been awarded and where he
works as a Curator - who wrote the Afterword.
Through the photographs I tried to discover another side of the city, almost invisible, through
an observation of small miracles of light that sometimes give rise to blocks of
color emerging from the shadows of the streets. The author did not seek to
describe reality as it is, but rather how it sees. An interpretation of the
street party and the magic of the urban kaleidoscope. A way of looking through
the primacy of aesthetic choices, geometries and the elaboration of contrasts.
The plastic approach, the color composition, the emotions and the graphic
impact were determinant.
The decision to edit this book
with photos is a consequence of the notion that photos only reach their final
stage when printed - felt with our hands on the texture of paper - and not just
enjoyed through backlit displays. Books promote slower, more focused
engagement. Photography as a digital file is ephemeral and may disappear at any
time. But in a book it will stay.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2019
The Real Hemingway “scent”
Krigler é uma marca lendária,
selectiva, “bespoke like” e semi-misteriosa - que não é muito comentada. Mantém
uma política discreta com pouca propaganda – não pactuando com o negócio de
muitos “reviewers” que comentam fragrâncias a metro com elogios muitas vezes
“comprados”. Semelhante a um produtor de vinho, Albert Krigler referia:
“fabricamos os nossos perfumes como vinho no sul da França, onde extraímos os
materiais e os deixamos descansar em barris até dois anos antes de começarmos a
misturá-los com álcool com uma concentração de 25%”. Os seus 35 perfumes (EDP),
são ainda comercializados pelos seus descendentes, e só podem ser adquiridos no
respectivo “site”, e nas lojas de França, Berlim, Hong Kong, New York Plazza e
no Four Seasons Beverly Hills. As histórias que transportam estão ligadas à
realeza, a grandes estrelas do cinema e a grandes figuras da História desde o
início do século XX.
São fragrâncias atraentes e de
elite correspondendo ao desejo do fundador Albert Krigler de criar fragrâncias
de luxo exclusivas, criadas com os melhores ingredientes do mundo. Nascido em
Berlim, Albert Krigler trabalhou inicialmente para a empresa francesa Rallet
como aprendiz na sua fábrica de Moscovo.
Tudo começou com amor,
naturalmente. Em 1879, Albert inventou Pleasure Gardenia 79 um perfume floral
como presente para conquistar a sua futura esposa.
Devido aos tumultuosos eventos
ocorridos em São Petersburgo, Albert Krigler mudou-se para Berlim, em 1905, e
abriu uma loja na Unter den Linden. Nesse mesmo ano, criou a sua terceira
fragrância, Schoene Linden 05, para celebrar a bela avenida daquela cidade.
Alguns anos depois, em 1909, Krigler mudou-se para a região de Champagne no sul
de França.
A Krigler Perfumes alcançou
grande fama no início dos anos 20 e era a favorita entre as celebridades da
época. Os “opinion makers” e os criadores de tendências reuniam-se envolvidos
em aromas de Krigler, cada um deles inspirado em locais como Monte Carlo, a
Riviera Italiana e o Mediterrâneo.
Porém, em 1931, a Krigler
começou a vender as suas fragrâncias em Nova York no Plaza Hotel. Em homenagem
à sua casa adoptiva, Albert criou o American One 31 (os números nos frascos
significam o ano em que foram criados. Neste caso em 1931), um perfume que se
viria a tornar numa fragrância de culto. Ernest Hemingway, que frequentava o
mesmo círculo que os Krigler, era um ávido utilizador deste perfume – que se
tornou a sua assinatura odorífica. Mais tarde quando John F. Kennedy soube que
Hemingway costumava usá-lo, passou também a comprar grandes quantidades e a
utilizá-lo em ocasiões especiais: Quando pretendia seduzir mais uma das suas
inúmeras amantes (na altura fazia, frequentemente, injecções de testosterona e
de esteroides devido à sua insuficiência suprarrenal) e no dia em que se tornou
presidente.
Uma aura inicial de bergamota
/ tangerina (mais doce do que ácida) com notas de vetiver e neroli assenta numa
base com a força do cedro, do cominho e da pimenta preta. Fresco, especiado e
amadeirado é exuberante / dinâmico / masculino e elegante, com um acabamento
inteligente que permanece muito tempo na pele. Identifico ainda uma “vibe”
discretamente adocicada que não está descrita na composição. Curiosamente
fez-me ler um pouco o "Renaissance" da Xerjoff. Foi adoptada
posteriormente também por George Clooney e pelo presidente Clinton.
Na década de 1930, Marlene
Dietrich apareceu no estúdio Krigler e apaixonou-se pelo perfume Lieber Gustav
14, uma fusão de couro, chá preto e lavanda - que se tornou o primeiro perfume
unissex da casa. Também era utilizado por F. Scott Fitzgerald - enquanto
escrevia “Tender Is the Night”. Grace Kelly escolhia aromas Krigler
exclusivamente para cada ocasião ou para cada papel que interpretava. Por
exemplo, usou Chateau Krigler 12 na noite em que ganhou um Oscar no filme “The
Country Girl”, em 1955. Audrey Hepburn usava English Promenade19 durante as
filmagens de “We Go to Monte Carlo” e de "Roman Holiday" com Gregory
Peck. O fabuloso Patchouli 55 foi o perfume de cabeceira da princesa Victoria
da Suécia e de Jackie Kennedy e é actualmente o preferido de Annette Bening.
Catherine, Duquesa de Cambridge, e a Princesa Charlene do Mónaco são fãs do
Extraordinaire Camelia 209. Também é muito conhecido o Oud for Highness 75
encomendado pelo rei Hussein da Jordânia. Outros dos seus perfumes foram também
usados por Pablo Picasso, Zelda Fitzgerald, Rudolph Valentino, Max Beckmann e
Colette.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2019
Sex, drugs & Perfume
Decidi conhecer as várias
fragrâncias da Moresque e no geral achei que são muito intensas / bold,
lineares e muito caras. Gostei, no entanto, do Al Andalus (com um belo açafrão
bem acompanhado pelo gengibre e pimenta preta), do Rand (um Aventus no feminino
- floral e com um abacaxi também bem condimentado) e do White Duke.
Acabei por me decidir pelo bem
mais masculino e recente (2019) White Duke – inspirado pela figura fascinante
de Gabriele D'Annunzio e que, me faz sentir o ambiente das primeiras décadas do
século XX - tal como o imagino.
TOP NOTES:
Bergamot, Geranium from Egypt,
Clary Sage
HEART NOTES:
Amber, Balsam of Peru, Thyme,
Opoponax
BASE NOTES:
Benzoin, Incense, Patchouli
Um perfume que, após a breve
abertura cítrica e condimentada, é marcado pelo protagonismo da sensualidade
doce do Âmbar e do mistério do incenso. Com boa duração (cerca de 12h) tem uma
projecção moderada. O balsâmico do oponax temperado pelo patchouli conferem uma
vibe a lembrar o Yatagan - o que é um ponto a favor para o meu gosto. No final
o drydown na pele é suave e doce. Tal como D'Annunzio é uma fragrância
provocante, sedutora, e desencadeando sensações fortes.
É irresistível relembrar
Gabriele D'Annunzio que foi não só um grande, poeta, escritor (O Triunfo da
Morte) e teatrólogo italiano. Desenvolveu paralelamente à carreira literária
uma excêntrica carreira política. Protagonista de uma vida de excessos,
d’Annunzio fez do estetismo o seu próprio estilo de vida (o seu lema de vida),
procurando sempre novas sensações. Com a declarada intenção de constituir em
Itália a prosa narrativa moderna, assimilou as características principais do
decadentismo europeu e a busca incessante da Beleza. Na primeira década do
século XX d’Annunzio era provavelmente o poeta italiano mais famoso na Europa.
Visto como um diabo com uma escrita de anjo, D’Annunzio permanece
indiscutivelmente irresistível: Sem dúvida, o melhor escritor italiano do seu
tempo, um esteta que faria Oscar Wilde parecer um mero burguês, um sedutor com
o tacto e apetite de Casanova, um fanático político e um orador de voz suave e
apaixonante.
Tornou-se famoso com o romance
O Prazer, de 1889, dedicado à atriz Eleonora Duse com quem viveu um romance
tempestuoso. Um romance entre muitos que lhe foram atribuídos. Era lendário o
seu apetite e performance sexual. Viveu com várias mulheres simultaneamente
(cita-se que a paixão de algumas as terá levado ao suicídio). Organizava orgias
ao ritmo de cocaína no seu palácio como um precursor de Hugh Hefner com as
coelhinhas da Playboy. O seu palácio faustuoso, que reflectia os seus excessos
e o seu esteticismo, situava-se (e situa) na margem norte do lago de Garda no
norte de itália (o maior lago da Itália, com 5 ilhas, localizado na província
de Bréscia), e estendendo-se por uma área de cerca de 370 km a uma altitude de
65 metros sobre o nível do mar).
Em redor da sua casa há um
labirinto de jardins secretos e fantásticos, há aviões e barcos da 1ª Guerra
Mundial, há cascatas, estátuas, um auditório ao estilo grego, ameias de uma
fortaleza e no topo de um monte há o seu mausoléu guardado por enormes de cães
de pedra.
A casa é um museu de peças
fantásticas, em geral da época, onde não há quase espaço entre elas – quer nas
paredes, quer nos móveis, quer na casa de banho com banheira e lavatório em Lápis-lazúli
rodeadas por dezenas de frascos de perfumes, loções, etc. Um lugar mágico a
merecer uma visita (ver vídeo em anexo).
Foi também um herói da 1ª
Guerra Mundial - onde esteve ao lado dos Aliados - tendo-se distinguido
comandando frotas de aviões. Alcançou celebridade como piloto de caça (perdeu a
visão de um olho num acidente aéreo). Entre os diferentes feitos e ficou
célebre a conquista da cidade de Fiume (hoje Rijeka na Croácia), em 12 de
setembro de 1919, liderando um exército de 2000 italianos. Nesse local
D’Annunzio auto-proclamou-se "Duce" (caudilho / Duke) e inventou o
gesto que mais tarde na 2ª Guerra Mundial seria copiado por Hitler e Mussolini.
A sua figura (de bigode revirado) também inspiraria mais tarde Salvador Dali.
Em 1937 foi eleito presidente da Academia Real Italiana). D'Annunzio morreu de
um acidente vascular cerebral (há autores que afirmam que tal aconteceu “às
mãos” de uma das várias “playmates” com quem coabitava – uma loira tirolesa de
nome Emy Huefler) em sua casa em 1 de março de 1938. Teve funeral de Estado.
segunda-feira, 25 de novembro de 2019
sexta-feira, 22 de novembro de 2019
Viagem ao Centro da Terra
Muitos de nós
conhecemos pela primeira vez o aroma de patchouli na década de 1970, e
associamos o cheiro à época dourada do movimento hippie e de Woodstock. No
entanto a Oficina Perfumaria-Farmacêutica Santa Maria Novella (que celebrou
recentemente 400 anos de actividade) - situada em Florença -, já comercializava
a sua colónia de Patchouli durante o século XIX. De facto esta farmácia
descobriu as propriedades aromáticas da planta quando reparou que os capitães
de navios que vinham das Indias usavam folhas frescas de patchouli para cobrir
as cargas valiosas (geralmente seda) que transportavam, porque o aroma de
cânfora do Patchouli as protegiam de infestações durante longas viagens. Ou
seja o Patchouli desta marca era proveniente da Índia e da Malásia. A
respectiva fragrância foi pois lançada há mais de 100 anos e teve um grande
sucesso na transição dos séculos XIX e XX. Actualmente é um clássico que se
redescobre. Citado por muitos “especialistas” como o melhor e ou o “Holy Graal”
das fragrâncias com dominância de Patchouli – que neste caso é de altíssima
qualidade e a única nota.
Com surpresa
descobri há dias que afinal existe numa pequena povoação do Portugal profundo
uma loja que vende os produtos desta marca. De imediato adquiri um frasco de
Patchouli que chegou hoje.
Hoje quando a
chuva está mais forte e há um cheiro forte a terra húmida que emana do meu
quintal. Tempo de usar o Patchouli SMN e de uma viagem ao centro da terra - não
pela escrita do Júlio Verne mas por um aroma primitivo e profundo.
Afinal sou
feito de terra. Da terra vim e para a terra vou. Com uma abertura de grande
intensidade – e surpreendente para EDC - mergulha-se em terra recentemente
molhada pela chuva guiados por um Patchouli de cor vermelha. Após cerca de 30
minutos os estratos geológicos passam a castanho claro e o aroma é picante,
almiscarado, amadeirado e discretamente cânforado (mas não “medicinal”).
Finalmente, aos 60 minutos, desembarcamos numa
ilha rodeada de lava dourada. O aroma é quente tóxico / exótico, oriental e
almiscarado. O centro da Terra. Onde nos sentimos como parte integrante da
calma que reina no coração do planeta. Os ombros finalmente descansam por
dentro. Durante 24 horas contemplamos as maravilhas de um silêncio mineral desabitado
há milénios. Apesar de ligeiramente assustadora no início a paisagem é redentora
no final quando redescobrimos a sensação doce e sensual dos chocolates da nossa
infância. Um regresso a outra dimensão parada no tempo - de onde serei
projectado - ainda com um “scent skin”, por um qualquer vulcão, na próxima manhã,
novamente para a loucura da Humanidade que grassa à superfície. Uma experiência
única. A experimentar e obviamente a repetir.
quarta-feira, 20 de novembro de 2019
segunda-feira, 18 de novembro de 2019
sexta-feira, 15 de novembro de 2019
"LES PLUS BELLES LAVANDES”
“Pour un homme” (criado em
1934) é uma das grandes obras-primas da história da perfumaria e tem vindo a
ter cada vez mais um merecido reconhecimento, na actualidade, por muita gente
que a (re)descobre. Sou um confesso fã das fragrâncias Caron e usei esta
fragrância na década de 1980 que “guardei” na minha memória olfactiva.
Ao ter adquirido agora um
frasco "splash" pré 1969 (com uma coroa como logo) criou-se a
oportunidade de a poder comparar com a actual (não considerei flankers) e com o
que me lembro da que usei na década de 1980 (o logo passou a ser um circulo a
partir de 1973). Por outro lado pesquisei também as diferentes embalagens /
frascos ao longo do tempo, cujas imagens aqui publico – permitindo uma datação
que poderá ser útil a quem tem a paciência de me ler. Ver em cada imagem a
descrição e o ano. Abstenho-me de escrever sobre a história da Caron, do
perfumista e da história de amor na génese deste perfume – pois são do
conhecimento geral.
São de facto 3 patamares e
composições diferentes (todas boas) onde diferentes lavandas e diferentes
percentagens entre as notas ditam resultados necessariamente diferentes. Julgo
pertinente dizer que houve e há lavandas e lavandas. De facto apesar de terem
surgido primeiro em Inglaterra (Croydon e Mitcham) as melhores e mais doces
lavandas crescem numa região perto de Grasse em França. Não devem ser colocadas
“no mesmo saco” com as Lavandinas que são plantas de qualidade aromática
inferior por vezes também utilizadas em perfumaria. Perante a experiência que
fiz não posso deixar de pensar que as Lavandas utilizadas nas versões pré 1969
do “Pour un Homme” (PuH) eram excepcionais e provavelmente já não existem mais.
Não por acaso que as primeiras embalagens de PuH tinham escrito: "Les Plus
Belles Lavandes" – tal como nos cartazes publicitários de 1938 a 1961.
Frase que desapareceu no início da década de 1980. Depois da II grande guerra
terminar, Pour Un Homme de Caron tornou-se uma fragrância icónica, utilizada
por políticos e estrelas como: Serge Gainsbourg, Jonhny Hallyday, François
Mitterrand e James Dean.
1 - Pre-1960:
Top notes: Bergamot, Lavender,
Lemon, Rosemary
Middle/Heart: Cedarwood, Clary
Sage, Rose, Rosewood
Base: Oakmoss, Musk, Tonka
Bean, Vanilla
Acho que a lavanda aqui é tão
pura que é possível imaginar a beleza aromática dos campos de Valensole,
Provence - num dia quente de Verão, pouco antes da colheita. Poesia dentro de
uma garrafa para aqueles como nós que sucumbem a esta paixão da arte olfactiva.
A composição é mais complexa do que a actual e o aroma é mais denso e mais
“estruturado”. A Lavanda é quente e agradável e tem maior protagonismo. É
também uma fragrância menos “vanílica” do que a formulação atual. O Musk tem
uma vibe ambarina e o equilíbrio e a profundidade são fabulosos e superiores à
versão actual.
A lavanda possui, em ambos os
lados do seu núcleo herbáceo, notas dispersas que tendem para o menta ou para o
caramélico, mas Pour un Homme mostra que se pode habilmente misturar uma
lavanda caramélica com uma base oriental discreta e quente, mantendo uma frescura
geral que inexplicavelmente dura horas e horas com um scent skin apoiado pelo
oakmoss +Tonka bean e pelo que me pareceu (para meu espanto) uma leve pitada de
civet - o que explicaria uma boa conservação! Provavelmente o melhor perfume de
lavanda (golden standard) que existe.
2 – Do que me lembro nos anos
80s-90s "Pour un Homme" tinha uma cor mais escura e uma versão com
características intermédias entre as 2 outras. Com mais notas do que a actual
(cítricos? Bergamota e limão?). Talvez a mais “green” de todas mas não tão leve
como a actual. Em relação com a versão anterior a baunilha começou a aumentar e
a lavanda (mais mint) a diminuir. O Musk era intenso e parece-me que tinha
civet em contraponto – mas não juro.
3 - Para a versão actual o
site Fragrantica refere menos ingredientes: Lavender, Baunilha e Musk (enquanto
o Site da Caron diz que é âmbar!!!???). O liquido é de um verde mais claro com
um aroma mais “light / clean” e simples. Com mais baunilha (mais adocicada) e
menos Lavanda do que a versão original. É bom mas na minha modesta opinião
inferior às versões anteriores - e com uma longevidade também menor.
quarta-feira, 13 de novembro de 2019
“The Real Thing”
O meu interesse por versões
“vintage” de grandes perfumes levou-me uma vez mais a comprar 2 exemplares (35
ml) de um dos lendários “monstros sagrados” da perfumaria: Le Tabac Blond. Um
em frasco selado anterior a 1965 já que gravado no interior do fundo da caixa
se lê: “Rue de la Paix". Apesar de não ter sido aberto ocorreu,
naturalmente, alguma evaporação ao longo dos anos – por isso o líquido é mais
espesso e escuro - com uma hiperconcentração que certamente deve ultrapassar os
50 a 60 %.
Outro já aberto - apenas com
um pequeno resto, a fazer lembrar mel escuro, no fundo – e com uma etiqueta
dentro da respectiva caixa referindo: "104, Rue de Richelieu, Paris"
- o que permite datar o exemplar entre 1965 e 1970. Mal abri a caixa um aroma
forte envolveu-me pois o extracto tinha-se derramado – sabe-se lá quando - para
dentro da caixa embebendo esta e a gaze que o embrulhava.
Esta etiqueta desapareceria
até 1992. Entre 1992 - 1998 referia: "3, Avenue Percier, 75008
Paris"; de 1998 -1999: "40, Rue la Boetie, 75008 Paris"; desde
1999: "99, Faubourg St. Honore Paris"; entre 1999 e 2001: "99,
Faubourg St. Honore, Paris, Made in France"; depois de 2002: "99, Faubourg
St. Honore, Paris, Made in France, Bezons" e finalmente só a lista de
alergénios em 2004-2005.
Fiquei em êxtase com o aroma
que emanava da caixa impregnada que continha o exemplar já aberto (como se vê
numa das imagens). Como se tivesse (re)descoberto subitamente a lâmpada de
Aladino e o génio me tivesse transportado para um cenário tipo Guerra dos
Tronos onde eu assumia um novo personagem vestido com um couro de poderes
extraordinários e rodeado de uma aura de fumo dourado e doce. Confesso que fiquei
espantado pois não esperava que a fragrância ainda se mostrasse tão viva, com
uma enorme projecção e sem sinais aparentes de alteração provocados pelo tempo.
Foi a revelação de um aroma
“emocional”, misterioso, provocante, poderoso e ao mesmo tempo suave com uma
forte “vibe vintage”. Possui tanto a sensualidade perturbadora de uma mulher
ousada vestida para a noite como a atmosfera masculina de “nonchalance”. Em
minha opinião foi dos primeiros perfumes compartilháveis – à frente do seu
tempo – embora tenha sido criado (1919) pelo patrão (Ernest Daltroff) da Caron
para as mulheres francesas / e garçonetes de uniforme masculino que, após a
primeira guerra mundial, adoptaram o hábito de fumar em público - uma vez que o
cigarro era, naquela época, um símbolo da liberdade e da atmosfera chique /
“classy” de uma mulher.
Foi lançado no mesmo ano que
Mitsouko da Guerlain. Tanto um como o outro são ícones. Mas ao contrário do
primeiro (que ficou rapidamente famoso) o Le Tabac Blond não era uma fragrância
fácil para a época - considerado então como algo “dark” e andrógino. Não por
acaso foi adoptado por Marlene Dietrich.
A elegância do perfume (a
masterpiece of leather) é baseada na combinação original de um couro seco,
folhas de tabaco adocicado e dourado mais baunilha. É na prática o “golden
standard” das essências de couro que Inspirou mais tarde a criação do Cuir de
Russie (1924) e agora do Hyde (2018) de Hiram Green. A diferença essencial é
que os bons couros, que se contam pelos dedos de uma mão, são obtidos de
"birch tar" (alcatrão de bétula ou vidoeiro) enquanto a tralha
sintética sobretudo "mainstream" obtém-no de isoquinolonas - o que
torna a grande maioria das actuais fragrâncias baseadas em couro medíocres ou
más.
Nesta 1ª versão li que a
pirâmide olfactiva era:
Top Notes: Lime Blossom,
Linden, Carnation and Iris
Heart Notes: Ylang Ylang,
Cedar, Patchouli, and Lime Tree Leaf
Base Notes: Birch Tar Leather,
Amber, Musk, Civet, Vanilla and Ambergris
Note-se que não tem a nota
tabaco – um acorde eventualmente obtido com a combinação das outras notas.
Embora em algumas plataformas exista também a referência a Tabaco da Virginia.
No site da Caron as notas da
versão actual são: Cuir, Œillet Iris, Vetiver, Vanille, Ambre. !!!
segunda-feira, 11 de novembro de 2019
Um blusão de couro
Hoje vesti um blusão de couro
de meados do século passado. Finalmente chegou uma “masterpiece” que tem andado
um pouco "esquecida": KnizeTen “vintage” - but still alive after all
these years - no seu frasco antigo de 125 ml. (Toilete Water inscrito dentro da
etiqueta redonda) e com a fórmula original (pré código de barras). Um
descendente e herdeiro directo do Le Tabac Blond (de 1919). Knize
Ten nasceu em 1925 pela mão de François Coty e Vincent Roubert. Respectivamente
“o homem que inventou a grande perfumaria” e o autor do célebre Iris Gris (de
Jacques Fath). O “Cuir de Russie” (1924) é um primo afastado porque tem um Iris
floral que retira algum protagonismo ao couro.
É o único dos “grande couros”
elegantes, andróginos e ousados que sobreviveu desde os anos vinte do século
passado. Existe como um veterano do após 1ª Guerra Mundial que actualmente é
quase ignorado.
Durante muito tempo parou a
sua produção mas felizmente reapareceu com um couro “à maneira” rodeado por uma
aura de âmbar esfumaçado. Abre com um beijo de cítricos e frutas e fecha mais
profundo vestindo-nos com um sobretudo de castóreum, musk e musgo de carvalho. Ou
seja é uma obra-prima (favorita de James Dean e David Niven) que todos os que
gostam de perfumes deveriam experimentar pelo menos uma vez na vida. Um must
try.
sexta-feira, 8 de novembro de 2019
Wonderful
Uma fragrância que continua a
ser excepcional mas comparando com uma versão de 1965 é mais light / “powdery”,
menos “poderosa / ousada”, um pouco mais floral e com menos couro e menos
tabaco. Mas talvez por isto tudo aparentemente mais “wearable”. Claro que a
comparação é um pouco injusta na medida em que na versão “vintage” houve uma
evaporação ao longo dos anos tornando-a mais concentrada e por isso mais forte,
com um couro mais “hard but not shanky” e com um tabaco doce a fazer lembrar
uma longínqua cachimbada de Mayflower que nos chega com uma brisa de Outono.
It´s wonderful... wonderful....
quarta-feira, 6 de novembro de 2019
segunda-feira, 4 de novembro de 2019
Um Dia De Chuva.
Hoje é um dia particularmente
cinzento sublinhado pela chuva persistente nos vidros das janelas. Deixo mais
uma vez a barba por fazer e abrigo-me numa poltrona ao canto da biblioteca. Um
foco de luz ilumina apenas os livros na mesinha em frente. Escolho um com
gravuras de personagens destemidos enfrentando mares adversos ao sabor de uma
sinfonia de Vetiver no aroma de Hemingway da Masque Milano.
sábado, 2 de novembro de 2019
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