Come rain or come shine - Don Henley
Apontamentos das minhas viagens diárias, sem frequência obrigatória, ou ordem predeterminada. Divinamente instalado nos meus pequenos prazeres (como nas nuvens) publicam-se reflexões, histórias (reais ou fictícias), fotografias e pintura de minha autoria, poesia, ou canções. Como quem regressa ao tempo dos milagres e, simultaneamente, entreabre a porta do seu jardim de Inverno. Recordar um tempo que afinal ainda não aconteceu. Memórias rebobinadas do meu peito. Divinamente.
Micro cidades estreladas
Certas palavras podem dizer muitas coisas;
Casta Diva, che inargenti
Richard Harris (1 Outubro 1930 – 25 Outubro 2002) nasceu na Irlanda. Era filho de um moleiro mas foi educado na Sagrado Coração de Jesus Colégio dos Jesuítas, e mais tarde estudou na Academia de Londres de Música e Arte Dramática. Foi conhecido sobretudo como um grande actor. Desempenhou papéis inesquecíveis em “Camelot” (1967 - como Rei Arthur), Cromwell (1970), “A Man called horse” (1970), “Unforgiven” (1992), “Gladiator” (2000), até aos recentes filmes de Harry Potter (na personagem de Dumbledore). No final da década de 1960 foi no entanto, talvez o actor mais popular na história da música popular, quase rivalizando com os Beatles. O seu disco “MacArthur Park” (canção de Jimmy Webb que atingiu o “top ten” em ambos os lados do Atlântico) em conjunto com o filme “A Man called horse” transformaram-no num ícone da cultura popular de então.
Vladimir Horowitz foi (1/10/1903 a 5 /11/1989) um pianista clássico, com um estilo muito próprio (“Horowitziano”), de grande virtuosismo e considerado como um dos mais brilhantes de todos os tempos, devido à sua excepcional técnica aliada às suas actuações contagiantes. Foi considerado por muitos o indiscutível mestre em Scriabin e Rachmaninoff. Deixou a Rússia em 1925, sob a promessa de não se esquecer da mãe-pátria.
O Mercado das Caldas realizava-se inicialmente no Largo da Copa em frente ao Hospital Termal e passou, durante o século XVIII, para esta praça (então Praça Nova). Em 1886-7 passou a ser denominada de D. Maria para, após o 5 de Outubro de 1910, ficar definitivamente: da República. Sobre este empedrado construido, em 1883, consoante projecto de Celestiano Rosa (tendo o proprietário Fauistino da Gama contribuiu com 2 contos de réis), continua a realizar-se diariamente e tal como no início - a céu aberto, o famoso Mercado da Fruta das Caldas da Rainha. Tem surgido periodicamente, desde o início do século XX, a polémica de a substituir por um Mercado Fechado, com os argumentos da maior ou menor facilidade na higienização da praça, de se pagar o imposto de Terrado, e de uma eventual vocação para Passeio Público. Felizmente tem-se mantido a tradição em que a cobertura é o céu. Este facto é uma mais-valia porque dá uma beleza e colorido próprio aos vegetais (julgo que as cores serão mais vivas e saturadas devido a serem iluminadas pela temperatura de cor do sol em vez da proveniente de luzes artificiais), tal como defendia, em 1926, Luis Teixeira nas páginas da Gazeta das Caldas, com receio que se tornasse igual a tantas outras encerradas em edifícios construídos para o efeito.
“… Os divertimentos de dia são de manhã na copa, de tarde nas partidas de prazer em cavalgaduras pequenas ao Senhor da Pedra, a Óbidos à lagoa, ao Convento dos padres Arrábidos das Gaeiras, ou passear na cerca e quinta do Hospital; onde há, além de pomar, horta, jardim e vinhas, um delicioso bosque cortado de várias e compridas ruas, nas quais somente se conhece o artifício. Há também outras quintas ao redor da Vila, e uma rua de loureiros à entrada dela para os exercícios mais moderados…”
Nesta semana de Setembro em que, inesperadamente, se faz sentir um calor quase digno dos trópicos, lembrei-me de aqui trazer um tema a condizer. "Begin the Beguine" foi mais um dos temas famosos escritos por Cole Porter (1891–1964), que o compôs ao piano no bar do Hotel Ritz de Paris. Em Outubro de 1935, faria a sua 1ª aparição pública através da voz de June Knight num musical da Broadway, “Jubilee” no Teatro imperial de Nova York. O tema viria a tornar-se um dos maiores sucessos da era do “Swing” e tem vindo a ser interpretado por inúmeros cantores de grande craveira – incluindo recentemente os REM que jogando com as palavras chamaram-lhe “Begin the Begin” no disco “Lifes Rich Pageant”. Fred Astaire e Eleanor Powell dançaram uma célebre versão instrumental no filme “Broadway Melody” (1940), Deanna Durbin cantou-o, em 1943, noutra fita (“Hers to Hold”) e, em 1946, foi a vez de Carlos Ramirez interpretar a canção na longa-metragem “Night and Day”. Curiosamente "Begin the Beguine” surge, em 1968, no filme “Yellow Submarine”, com os Beatles, durante uma conversa entre John e Jeremy.
Tal como as duas anteriores esta árvore tem mais de 300 anos, pertencendo a uma fase inicial da Mata das Caldas da Rainha da responsabilidade dos provedores dos séc. XVI e XVII. Situa-se logo abaixo (Poente) e à direita de quem desce vindo da captação AC2. Tem mais de 25m de altura e uma copa muito larga, destacando-se o diâmetro do seu tronco - muito superior ao dos outros Carvalhos em volta. Ficamos com ideia, dada a abundância desta espécie na Mata, que houve intenção de a previlegiar. Talvez porque possui uma madeira muito forte e resistente (daí a ser muitas vezes associado à representação da longevidade, e da sabedoria), ou devido às referências anteriores da sua ligação ao Sagrado. De facto, a Cultura Celta acreditava existir dentro do Carvalho um poderoso e benéfico espírito, possuidor de grande Força, Sabedoria e Resistência. Cada Carvalho funcionaria como um portal natural aberto para os demais seres para além das fadas que os habitavam. Sempre que se encontrasse um Carvalho viçoso, com certeza ali haveria um grande número de Fadas a proteger o Local e a Árvore. A Bíblia usa esta árvore como referência pelo menos 23 vezes e os romanos consagraram-na a Júpiter tecendo, a partir da sua folhagem, as coroas dos heróis. Na Idade Média era objecto de culto (era a árvore de Robin dos Bosques) e ao longo dos séculos, o carvalho foi a árvore florestal mais importante da Europa, protegida e cultivada sempre que possível. Actualmente já não existe este cuidado mesmo que se sinta uma mudança de mentalidades. Os carvalhos produzem uma madeira mais valiosa que todas as outras e formam uma floresta, do ponto vista ecológico, preferível. São árvores admiráveis que podem atingir os 400, 500 anos e, por vezes, os 800 anos de idade. Os japoneses têm um provérbio que diz que o "carvalho leva 300 anos a crescer, 300 anos a manter-se adulto e 300 anos a morrer". Os carvalhos têm vindo a rarear na flora europeia e perderam, neste momento já, a gloriosa importância de outrora. E os carvalhos seculares, como as grandes jóias da arquitectura que mãos piedosas carinhosamente ergueram, pertencem ao passado. Se desaparecerem jamais se substituem. O carvalho permanece, no entanto, como um símbolo com significado espiritual e um bem valioso.