sábado, 21 de Novembro de 2009

Bring me the horizon

Come rain or come shine - Don Henley

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

A ponte

Escadas de acesso à ponte sobre o lago do Parque D. Carlos I nas Caldas da Rainha

Marco Polo descreve uma ponte, pedra a pedra.
- Mas qual é a pedra que sustém a ponte? – pergunta Kublai Kan.
- A ponte não é sustida por esta ou por aquela pedra – responde Marco, - mas sim pela linha do arco que elas formam.
Kublai Kan permanece silencioso, reflectindo.
Depois acrescenta: - Porque me falas das pedras? É só o arco que me importa.
Polo responde: - Sem pedras não há arco.
(In: As Cidades Invisíveis de Italo Calvino)
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Bridge over Troubled Water - Simon and Garfunkel

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Blue in Green

"Blue in Green" é uma balada do Album “Kind of Blue” (gravado em Março e Abril de 1959) de Miles Davis, cujas sessões de registo contaram (além de Miles) com um elenco de “luxo”: Bill Evans e Wynton Kelly (ambos no piano), Jimmy Cobb (bateria), Paul Chambers (baixo) e os saxofonistas John Coltrane e Cannonbal Adderley.
“Kind of Blue” tem vindo a ser citado, desde então, como o disco de Jazz mais vendido de sempre e, em Outubro de 2008, recebeu a “quádrupla platina” em vendas – atribuída pela Record Industry Association. Tem sido classificado por inúmeros críticos e especialistas como o melhor álbum da história do Jazz e a grande obra-prima de Miles, e a revista “Rolling Stone” classifica-o (em 2003) como 12º entre os 500 melhores discos de sempre, influenciando inúmeros músicos não só de Jazz mas também de Rock e de Música clássica.
“Blue in Green” é uma pérola luminosa no meio deste disco sensacional e uma das 10 músicas que muita gente escolheria para levar para uma ilha deserta.
Tem sido especulado ao longo do tempo se a autoria de “Blue in Green” era de Miles ou antes de Bill Evans – outro “gigante” do Jazz que participara no disco. Depois de vários livros atribuírem a autoria a Miles, ou a Miles e Evans, ficou esclarecido numa entrevista (1978) que foi de facto o génio de Bill Evans a compor o tema para aquele que viria a ser um dos mais fantásticos improvisos de Miles e da história do Jazz. Mais espantoso é o facto de que o disco foi gravado sem antes ter existido qualquer ensaio. A espontaneidade no seu estado mais puro. Uma enorme profundidade. Como o oceano. Também ele “Blue in Green”.
Blue in Green – Miles Davis

domingo, 15 de Novembro de 2009

Líquens

Micro cidades estreladas
Labirintos micelares
Polígonos e prismas
Entrançam-se
Expandem-se
No calor entorpecente

Esporos explodem
Sobre um mar de musgos e de sementes vermelhas

O fundo sempre igual

As raízes da árvore
Sobre o planeta Terra

Where breathing starts - Tord gustavsen trio

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Blue velvet twilight

Blue velvet - Bobby Vinton

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Certos sinais

Certas palavras podem dizer muitas coisas;
Certos olhares podem valer mais do que mil palavras;
Certos momentos nos fazem esquecer que existe um mundo lá fora;
Certos gestos, parecem sinais guiando-nos pelo caminho;
Certos toques parecem estremecer todo nosso coração;
Certos detalhes nos dão certeza de que existem pessoas especiais,
Assim como você, que deixarão belas lembranças para todo o sempre.
(Vinicius de Moraes)

Adagio - Secret Garden

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Leituras

Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar
(Inscrição - Sophia de Mello Breyner Andresen)

Let There be Love - Laura Fygi

sábado, 7 de Novembro de 2009

O Pescador e o Mar

Praia da Foz do Arelho
Eu pescador

Eu pescador que pesco por um instinto antigo
e procuro não sei se o peixe se o desconhecido
e lanço e recolho a linha e tantas vezes digo
sem o saber o nome proibido.
Eu de cana em punho escrevo o inesperado
e leio na corrente o poema de Heraclito
ou talvez o segredo irrevelado
que nunca em nenhum livro será escrito.
Eu pescador que tantas vezes faço
a mim mesmo a pergunta de Elsenore
quais águas que passam sei que passo
sem saber resposta. Eu pescador.
Ou pecador que junto ao mar me purifico
lançando e recolhendo a linha e olhando alerta
o infinito e o finito e tantas vezes fico
como o último homem na praia deserta.
Eu pescador de cana e de caneta
que busco o peixe o verso o número revelador
e tantas vezes sou o último no planeta
de pé a perguntar. Eu pescador.
Eu pecador que nunca me confesso
se não pescando o que se vê e não se vê
e mais que o peixe quero aquele verso
que me responda ao quando ao quem ao quê.
Eu pescador que trago em mim as tábuas
da lua e das marés e o último rumor
de um nome que alguém escreve sobre as águas
e nunca se repete. Eu pescador.
Oitavo Poema do Pescador In "Senhora das Tempestades" de Manuel Alegre
-
Somewhere Beyond The Sea - Bobby Darin

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

The secret life of plants

Casta Diva, che inargenti
queste sacre antiche piante,
a noi volgi il bel sembiante
senza nube e senza vel...
Tempra, o Diva,
tempra tu de’ cori ardenti
tempra ancora lo zelo audace,
spargi in terra quella pace
che regnar tu fai nel ciel...

Casta Diva (from Norma / Bellini) - Angela Gheorghiu

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Immortal Memory

Immortal Memory - Lisa Gerrard & Patrick Cassidy

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Anoitecer na Lagoa

In a sentimental mood - Abdullah Ibrahim

sábado, 31 de Outubro de 2009

Light Above the Trees

Light Above the Trees - Keiko Matsui

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

As Pessoas e o futuro da Praça da Fruta

A Sra Rosa Conceição Costa tem 79 anos de idade. Vem, diariamente, com os produtos da sua lavra na freguesia de Alvorninha, até à Praça da Fruta das Caldas da Rainha. Tal como a Sra Hermínia Joana (75 anos) do lugar de Lagoa Parceira, e como a Sra Assunção Fialho (73 anos) oriunda da freguesia de Salir de Matos. Todas portanto residentes no Concelho onde é realizado o mercado. Pertencem à geração de vendedores/produtores mais antigos que vendem na Praça (começaram entre os 7 e 18 anos). Com nostalgia e tristeza relatam tempos em que a Praça se enchia com produtores/vendedores da região e regurgitava de visitantes. Hoje são poucos os que resistem à chegada de vendedores/intermediários e à concorrência de produtos que não são da região (alguns do estrangeiro).
Como referimos anteriormente (post de 2 de Outubro 2009) a Praça tem uma enorme importância (e mais-valia) histórica e uma originalidade que advém da sua cobertura celeste. Mas a Praça não se faz apenas com o empedrado do tabuleiro e com a pontualidade do céu aberto. Faz-se também com as Pessoas. Uma das suas características e atractivos essenciais, foi sempre a possibilidade de aquisição de produtos hortícolas mais frescos, mais baratos e directamente ao produtor. No entanto, com a extinção progressiva dos agricultores que vendem os seus produtos, interrogamo-nos sobre o que tem sido feito, e ainda sobre o que fazer, para não se perder o “capital” humano que contribui diariamente para a manutenção da personalidade própria de uma Praça – através de uma das suas características essenciais – diferente de todas as outras do País.
Os representantes autárquicos falam com as Pessoas que vendem na Praça da Fruta? Os representantes autárquicos regulamentaram medidas para salvaguardar o futuro deste Ex-líbris das Caldas da Rainha? Que futuro (próximo) para a Praça da Fruta sem os verdadeiros vendedores/produtores da região?
Uma Praça igual a tantas outras e repleta de intermediários jamais será a reconhecidamente “célebre” Praça da Fruta das Caldas. No meu modesto entender, é URGENTE que, para além da preservação do espaço, haja investimento nas Pessoas que lá trabalham. Ou seja, a criação de incentivos exclusivos: para os produtores que vêm vender directamente na Praça e ainda para a agricultura biológica, recrutando assim novas gerações de agricultores que, assegurem a viabilidade futura da tradição da Praça e que sigam o exemplo da D. Rosa, da D. Hermínia e da D. Assunção – que hoje aproveitamos para homenagear.
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Soria Maria - Jan Garbarek

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Tapete

''Autumn song'' (Tchaikovsky) - Alexei Sultanov

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

O Chapéu vermelho

Feeling good-Michael Bublé

domingo, 25 de Outubro de 2009

Just another sunset

Richard Harris (1 Outubro 1930 – 25 Outubro 2002) nasceu na Irlanda. Era filho de um moleiro mas foi educado na Sagrado Coração de Jesus Colégio dos Jesuítas, e mais tarde estudou na Academia de Londres de Música e Arte Dramática. Foi conhecido sobretudo como um grande actor. Desempenhou papéis inesquecíveis em “Camelot” (1967 - como Rei Arthur), Cromwell (1970), “A Man called horse” (1970), “Unforgiven” (1992), “Gladiator” (2000), até aos recentes filmes de Harry Potter (na personagem de Dumbledore). No final da década de 1960 foi no entanto, talvez o actor mais popular na história da música popular, quase rivalizando com os Beatles. O seu disco “MacArthur Park” (canção de Jimmy Webb que atingiu o “top ten” em ambos os lados do Atlântico) em conjunto com o filme “A Man called horse” transformaram-no num ícone da cultura popular de então.
Após o enorme êxito como “actor-cantor” em “Camelot”, com a sua voz atraente e com dicção impecável (semelhante à de Rex Harrison), foi convidado por Jimmy Webb, um ano depois, para gravar (1967) uma canção com cerca de 7 minutos “épicos”: “MacArthur Park” – que se tornaria uma das suas imagens de marca. Em 1968 seriam editados “Tramp Shining” (um álbum conceptual, sofisticado e muito bem produzido) e “Yard Went on Forever” (também com Webb). Apesar de não terem o sucesso comercial do anterior, continham temas com interpretações fortes. Sucederam-se “My Boy”, “The Love Album”(com algumas das melhores faixas dos discos anteriores), “Slides” (1972), “His Greatest Performances” (1973), "Jonathan Livingston Seagull" (1973), “ The Prophet” (1974), “I, in the Membership of My Days” (1974) e “Camelot” (Original 1982 London Cast Soundtrack) (1982).
As suas interpretações têm a mais-valia de, para além de cantadas, conterem a emoção e a voz de um grande "diseur". Apesar da qualidade dos discos anteriores ficou para sempre gravada na minha memória a canção “Slides” (do LP com o mesmo nome) em que Harris alterna a voz do cantor com a do actor. Só recentemente saiu em CD, permitindo que eu a colocasse no Youtube. Um clássico guardado no armário das grandes canções românticas de sempre.
Slides – Richard Harris

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Stormy Weather

Praia da Foz do Arelho às 18h30m de 21/10/2009


Stormy Weather – Billie Holiday

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Falling tree

Falling - Julee Cruise

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Lonely tree at sunset

It Never Entered My Mind
(Lyrics by Lorenz Hart, music by Richard Rodgers)
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Once I laughed when I heard you saying
That I'd be playing solitaire
Uneasy in my easy chair
It never entered my mind
And once you told me I was mistaken
That I'd awaken with the sun
And ordered orange juice for one
It never entered my mind
You had what I lack, myself
Now I even have to scratch my back myself
Once you warned me that if you scorned me
I'd say a lonely prayer again
And wish that you were there again
To get into my hair again
It never entered my mind
Once you warned me that if you scorned me
I'd say a lonely prayer again
And wish that you were there again
To get into my hair again
It never entered my mind
-
It never entered my mind - Coleman Hawkins and Ben Webster

sábado, 17 de Outubro de 2009

Margem

Gymnopedie No. 1. – Erik Satie

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Evening land

Evening Land - Jan Garbarek & Mari Boine Persen

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

The Waiting

Paisagem paralela na Lagoa
O deserto do dia ecoa em tons de castanho
Um silêncio âmbar cai vertical sobre a escuridão ardente da ondulação
Como se algo de extraordinário estivesse para acontecer
A qualquer momento
Alguém vai emergir e nadar
Na minha direcção

(Swim to me)
Song to the Siren - This Mortal Coil

domingo, 11 de Outubro de 2009

A nuvem e o olhar

The Nature of Daylight - Max Richter

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Colours

Colours - Donovan

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Entardecer

Love Theme (From "Mulholland Drive") – Angelo Badalamenti

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Reverie

Vladimir Horowitz foi (1/10/1903 a 5 /11/1989) um pianista clássico, com um estilo muito próprio (“Horowitziano”), de grande virtuosismo e considerado como um dos mais brilhantes de todos os tempos, devido à sua excepcional técnica aliada às suas actuações contagiantes. Foi considerado por muitos o indiscutível mestre em Scriabin e Rachmaninoff. Deixou a Rússia em 1925, sob a promessa de não se esquecer da mãe-pátria.
Viria a naturalizar-se americano em 1942 e esteve mais de 60 anos sem regressar à sua terra natal. Aos 82 anos sucumbiu ao desejo de ver por uma última vez a Rússia antes de morrer. Ao abrigo de um acordo entre os USA e a URSSR, pediu para regressar como “embaixador da Paz”, considerando a tensão política que se vivia na altura (a aviação americana atacara a Líbia). Assim, em 20 de Abril de 1986, Horowitz tocou o seu Steinway pessoal perante uma audiência “electrizada”. A sessão foi alvo de gravação televisiva e em CD. Uma multidão que não conseguiu lugar no auditório ficou durante o concerto à porta do Conservatório de Moscovo – como quem diz: presente! As palmas e os “Bravos!” sucederam-se num ambiente de rara emoção. Havia quem dissesse que aquela interpretação “era sobre humana e vinha do céu” e um pianista russo conhecido exclamava que Horowitz “era o único pianista que conseguia tocar as cores”. Quando num dos “encores” o filho pródigo amado por toda aquela gente tocou Traumerei (“Reverie”) de Schumann… Sentiu-se que algo de mágico e poderoso se estava a passar. Uma corrente de ternura colectiva “explodiu” em direcção àquele velhote franzino, ao piano, que morreria em breve (3 anos depois) mas que antes quis dar o melhor que a sua alma guardava, naquele preciso momento, ao seu país de origem. As notas de Traumerei caíam cristalinas num silêncio total. As pessoas não estavam tristes, antes exultavam em poder assistir a algo de inimaginável. A câmara da televisão mostrava (vale a pena ver no Youtube) rostos emocionados no público suspenso daqueles 2 minutos e 27 segundos. As lágrimas que escorriam pelas faces dos espectadores são também as nossas.
Não por acaso, escolhi uma fotografia “a preto e branco”, de um grupo de árvores junto ao lago do Parque das Caldas, para acompanhar a música de hoje porque estou certo que as notas tocadas por Horowitz irão colori-la com as cores dos sonhos.
Enjoy…

Horowitz plays SchumannTraumerei in Moscow (1986)

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Caminhando sobre as estrelas

O Mercado das Caldas realizava-se inicialmente no Largo da Copa em frente ao Hospital Termal e passou, durante o século XVIII, para esta praça (então Praça Nova). Em 1886-7 passou a ser denominada de D. Maria para, após o 5 de Outubro de 1910, ficar definitivamente: da República. Sobre este empedrado construido, em 1883, consoante projecto de Celestiano Rosa (tendo o proprietário Fauistino da Gama contribuiu com 2 contos de réis), continua a realizar-se diariamente e tal como no início - a céu aberto, o famoso Mercado da Fruta das Caldas da Rainha. Tem surgido periodicamente, desde o início do século XX, a polémica de a substituir por um Mercado Fechado, com os argumentos da maior ou menor facilidade na higienização da praça, de se pagar o imposto de Terrado, e de uma eventual vocação para Passeio Público. Felizmente tem-se mantido a tradição em que a cobertura é o céu. Este facto é uma mais-valia porque dá uma beleza e colorido próprio aos vegetais (julgo que as cores serão mais vivas e saturadas devido a serem iluminadas pela temperatura de cor do sol em vez da proveniente de luzes artificiais), tal como defendia, em 1926, Luis Teixeira nas páginas da Gazeta das Caldas, com receio que se tornasse igual a tantas outras encerradas em edifícios construídos para o efeito.
Será desejável que a Praça assim se mantenha e que continuemos a caminhar sobre as suas estrelas - mas debaixo da abóbada celeste.

What are you doing the rest of your life - Chris Botti e Sting

quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Rua da Mata

“… Os divertimentos de dia são de manhã na copa, de tarde nas partidas de prazer em cavalgaduras pequenas ao Senhor da Pedra, a Óbidos à lagoa, ao Convento dos padres Arrábidos das Gaeiras, ou passear na cerca e quinta do Hospital; onde há, além de pomar, horta, jardim e vinhas, um delicioso bosque cortado de várias e compridas ruas, nas quais somente se conhece o artifício. Há também outras quintas ao redor da Vila, e uma rua de loureiros à entrada dela para os exercícios mais moderados…”
Joaquim Inácio de Seixas Brandão in Memorias dos anos 1775 a 1780 para servirem de Historia à análise, e virtudes das águas termais da vila das Caldas da Rainha.

Behind The Gardens/Under the tree - Andreas Vollenweider

segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Tropical Mood

Nesta semana de Setembro em que, inesperadamente, se faz sentir um calor quase digno dos trópicos, lembrei-me de aqui trazer um tema a condizer. "Begin the Beguine" foi mais um dos temas famosos escritos por Cole Porter (1891–1964), que o compôs ao piano no bar do Hotel Ritz de Paris. Em Outubro de 1935, faria a sua 1ª aparição pública através da voz de June Knight num musical da Broadway, “Jubilee” no Teatro imperial de Nova York. O tema viria a tornar-se um dos maiores sucessos da era do “Swing” e tem vindo a ser interpretado por inúmeros cantores de grande craveira – incluindo recentemente os REM que jogando com as palavras chamaram-lhe “Begin the Begin” no disco “Lifes Rich Pageant”. Fred Astaire e Eleanor Powell dançaram uma célebre versão instrumental no filme “Broadway Melody” (1940), Deanna Durbin cantou-o, em 1943, noutra fita (“Hers to Hold”) e, em 1946, foi a vez de Carlos Ramirez interpretar a canção na longa-metragem “Night and Day”. Curiosamente "Begin the Beguine” surge, em 1968, no filme “Yellow Submarine”, com os Beatles, durante uma conversa entre John e Jeremy.
Mas para hoje escolhi uma soberba interpretação (2001) do grande pianista cubano Pepesito Reyes que, para além de ser o responsável pela linha melódica principal de “Guantanamera”, acompanhou nomes como Benny Moré, Duke Ellington, Nat King Cole e Tito Puente. Com 85 anos, Reyes continuava a tocar e encantar pelo mundo inteiro com o seu estilo marcado por um sabor tropical. É difícil resistir e não dançar este tema embalado pelo ritmo caloroso do “pianar” mágico de Pepesito Reyes (“even the palms seem to be swaying…”).
VT
...
When they begin the beguine
it brings back the sound
of music so tender
it brings back a night
of tropical splendor
it brings back a memory of green
I'm with you once more
under the stars
and down by the shore
an orchestra´s playing
and even the palms
seem to be swaying
when they begin the beguine
to live it again
is past all endeavor
except when that tune
clutches my heart
and there we are swearing to love forever
and promising never
never to part
a moments divine
what rapture serene
to clouds came along
to disperse the joys we had tasted
and now when I hear people curse the chance that was wasted
I know but too well what they mean
so don´t let them begin the beguine
let the love that was once a fire
remain an ember
let it sleep like the dead desire I only remember
when they begin the beguine
oh yes let them begin the beguine
make them play
till the stars that were there before
return above you
till you whisper to me
once more darling I love you
and we suddenly know what heaven we're in
when they begin the beguine
Begin the Beguine – Pepesito Reyes

sábado, 26 de Setembro de 2009

A Árvore e o Espírito de Lugar.

Tal como as duas anteriores esta árvore tem mais de 300 anos, pertencendo a uma fase inicial da Mata das Caldas da Rainha da responsabilidade dos provedores dos séc. XVI e XVII. Situa-se logo abaixo (Poente) e à direita de quem desce vindo da captação AC2. Tem mais de 25m de altura e uma copa muito larga, destacando-se o diâmetro do seu tronco - muito superior ao dos outros Carvalhos em volta. Ficamos com ideia, dada a abundância desta espécie na Mata, que houve intenção de a previlegiar. Talvez porque possui uma madeira muito forte e resistente (daí a ser muitas vezes associado à representação da longevidade, e da sabedoria), ou devido às referências anteriores da sua ligação ao Sagrado. De facto, a Cultura Celta acreditava existir dentro do Carvalho um poderoso e benéfico espírito, possuidor de grande Força, Sabedoria e Resistência. Cada Carvalho funcionaria como um portal natural aberto para os demais seres para além das fadas que os habitavam. Sempre que se encontrasse um Carvalho viçoso, com certeza ali haveria um grande número de Fadas a proteger o Local e a Árvore. A Bíblia usa esta árvore como referência pelo menos 23 vezes e os romanos consagraram-na a Júpiter tecendo, a partir da sua folhagem, as coroas dos heróis. Na Idade Média era objecto de culto (era a árvore de Robin dos Bosques) e ao longo dos séculos, o carvalho foi a árvore florestal mais importante da Europa, protegida e cultivada sempre que possível. Actualmente já não existe este cuidado mesmo que se sinta uma mudança de mentalidades. Os carvalhos produzem uma madeira mais valiosa que todas as outras e formam uma floresta, do ponto vista ecológico, preferível. São árvores admiráveis que podem atingir os 400, 500 anos e, por vezes, os 800 anos de idade. Os japoneses têm um provérbio que diz que o "carvalho leva 300 anos a crescer, 300 anos a manter-se adulto e 300 anos a morrer". Os carvalhos têm vindo a rarear na flora europeia e perderam, neste momento já, a gloriosa importância de outrora. E os carvalhos seculares, como as grandes jóias da arquitectura que mãos piedosas carinhosamente ergueram, pertencem ao passado. Se desaparecerem jamais se substituem. O carvalho permanece, no entanto, como um símbolo com significado espiritual e um bem valioso.
Bem gostaríamos que o efeito protector que os antigos acreditavam existir se manifestasse agora. De facto este é um tempo decisivo para todo o Património Termal das Caldas da Rainha – que inclui a Mata, e cujo futuro irá, certamente, ser estudado e equacionado tal como anunciado pelo Ministério da Saúde. Fala-se em fim de ciclo. Mas será então importante que em novo ciclo se procure manter toda uma herança patrimonial, transmitida ao longo de gerações durante mais de cinco séculos, que tem como origem o legado da Rainha D. Leonor e sucessivas doações da própria população. E essas doações, e respectivas intervenções urbanísticas, obedeceram quase sempre a uma estratégia global e integrada para todo o Património Termal, articulando, ao longo do tempo, de um modo complementar e sinérgico as diferentes peças que compõe a actual Estância Termal das Caldas da Rainha. Aquele princípio que se tem transmitido, desde os antigos Provedores até à actualidade, em que a manutenção da unicidade física e funcional de todo o actual Património Termal das Caldas da Rainha é uma herança a preservar – é afinal uma mais-valia fundamental para a estratégia termal e concelhia. Assim os Caldenses o compreendam.
VT
O Fortuna (Carmina Burana) – Carl Orff