quarta-feira, 29 de julho de 2009

And I Love You So

"And I Love You So" é uma canção escrita por Don McLean (n. em 1945) e integrava o seu 1º álbum: “Tapestry” (gravado em 1969). Curiosamente este 1º Album de McLean foi rejeitado por 34 (!!!) editoras discográficas antes de vir a ser aceite pela Mediarts que o editou em 1970. Apesar de ter colhido boa opinião da crítica o disco não fez grande êxito. No entanto, veio a ser gravada, mais tarde, por outros intérpretes (incluindo Perry Como em 1973 e Elvis Presley em 1977 – que a integrava quase sempre nas suas actuações ao vivo). Mas McLean viria a obter a notoriedade, em 1971, com o seu 2º álbum: “American Pie” que foi um sucesso estrondoso. Uma das suas canções: Vincent – já publicada em 21 de Maio deste ano, neste Blog – atingiria, rapidamente, o 1º lugar nos hits do momento. Mas a mais famosa composição de McLean é “American Pie” dedicada a 3 pioneiros do Rock´n Roll que morreram, em 1959, num célebre desastre de avião: Buddy Holly (enorme a sua influência nos primeiros tempos do Rock´n Roll), Ritchie Valens (La Bamba) e The Big Bopper. Daí a expressão “The Day the Music Died” em referência a esse evento. McLean refere no entanto que a canção, escrita em 1960, reflecte também algo autobiográfico. American Pie foi nº 1 no Billboard, apenas um mês após a sua gravação, lugar onde se manteve 4 semanas. Foi objecto de várias “cover versions” –incluindo a de Madonna e, em 2001, alcançaria ainda o 5º lugar no “ranking” das melhores 365 canções de sempre – votadas através da Recording Industry Association of America e da National Endowment for the Arts (por curiosidade referimos que foi superado apenas por: “Over the Rainbow (Judy Garland), “White Christmas” (Bing Crosby), “This Land is your Land” (Woody Guthrie) e “Respect” (Aretha Franklin). McLean gravou, até 1990, 14 álbuns, com inúmeras canções conhecidas (" Crying" gravado em 1980 por Rot Orbison, “Castles in the Air”, “Since I Don´t Have You”, “It´s Just the Sun”, etc.) e escrevendo temas para outros intérpretes como foi o caso de “Killing Me Softly with His Song” (Roberta Flack). Neste ano (2009) fomos surpreendidos com novo disco (“Addicted to Black”), mas continuámos sempre fiéis a um 1º amor. À sua canção “And I love you So” que expressa bem o que sentimos e dizemos quando estamos apaixonados. Simplicidade e Beleza. Como as flores brancas que encontrei numa das margens da Lagoa do Óbidos. VT
And I Love You So – Don McLean

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Lua cheia sobre a Foz

Richard Rodgers e Lorenz Hart escreveram, em 1933, a primeira versão da canção que viria a ser conhecida, mais tarde, por “Blue Moon”. Foi composta para Jean Harlow cantar num dos seus filmes e chamava-se “Oh Lord, make me a movie star”. Surgiu um ano depois adaptada para novo filme, primeiro com o nome de “It´s just that kind of Play” e depois “The bad in every man” para ser interpretada por Shyrley Ross – tendo passado despercebida. Porém, em 1935, Hart escreveu (a contragosto) a sua versão final (e mais comercial), com o objectivo de atingir um publico mais vasto, que passou a ser tema de abertura de um programa de rádio denominado Hollywood Hotel, tendo sido gravada pela primeira vez com a voz de Conee Bowsell. Integrou a banda sonora de inúmeros filmes (p. ex. “Os irmãos Marx no Circo” e “Viva las Vegas”) e passou a ser alvo de inúmeras interpretações que incluem também Amália Rodrigues entre muitos outros (p. ex: Louis Armstrong, Tonny Bennett, Ella Fitzgerald, Sam Cooke, Elvis Presley, Cowboy Junkies, Billie Holiday, Bob Dylan, Frankie Laine, Elkie Brooks, Ivan Lins, Julie London, Dean Martin, Sinatra, Supremes, Mel Tormé, Rod Stewart, etc.). No entanto tornou-se mundialmente conhecida através de uma interpretação Doo-Woop dos Marcels, em 1961, com a famosa introdução: “bomp-baba-bom” “dip-da-dip”, atingindo rapidamente o 1º lugar dos “Charts”. Escolhi, no entanto, uma versão (1995) pouco conhecida de um conjunto também pouco conhecido em Portugal e do qual sou ouvinte atento: The Mavericks. Uma versão “sweet and strong”… VT
Blue Moon – The Mavericks

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Tunel ao fundo da luz

But Not For Me
They`re writing songs of love
But not for me
A lucky star`s above
But not for me
With love to lead the way
I`ve found more clouds of gray
Than any Russian play
Could guarantee I was a fool to fall
And get that way Hi ho! Alas!
And also, lackaday
Although I can´t dismiss
The memory of her kiss I guess
She´s not for me
It all began so well
But what an end
This is the time
A fellow needs a friend
When every happy plot
Ends with a the marriage knot
And there`s
No knot for me
 
But not for me – Chet Baker

terça-feira, 21 de julho de 2009

Sonho


Folha a folha caminho na direcção da luz 

Onde o silêncio canta e os pássaros se calam
Nicho verde onde sonho através do vidro do ar
Quando amanhecer regressarei com beijos
VT

Love Remembered - Wojciech Kilar

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A Fonte da Boneca

A fonte dos desejos está seca, vestida de ilusões e de hieróglifos que ninguém lê. As folhas caiem devagar através do silêncio lilás e rosa. O movimento da luz nas palavras do vento é também lento. No lugar dos peixes vermelhos e dos nenúfares acumulam-se detritos e restos das sombras da noite. No meio do lixo a mesa posta com folhas parece esperar um último sacrifício. No nicho vazio apenas a memória dos dias de água fresca apaziguando lábios sedentos. Como se estivéssemos no princípio e fosse possível novamente conceder desejos. Deixei o meu pensamento em cima da mesa.
VT

I think of you – Seigen Ono

domingo, 19 de julho de 2009

Outros passos

Na serenidade deste anfiteatro emergem espaços antigos voltando dentro de nós. Depois do ranger do portão os nossos passos atravessam mais jardim e entram onde esteve provavelmente uma sala de estar – agora com um tapete de hera. O tracejado do sol coado pela vegetação é certamente idêntico ao que passava pelas persianas da casa tranquila que aqui estava… Talvez a mancha vermelha de talhadas de melancia sobre a mesa. Laranjas e flores. Talvez uma rapariguinha a brincar com as flores a fingir que eram pessoas para um dia mais tarde fingir que as pessoas eram flores. A correspondência esperando sem pressa na cadeira, o chão de madeira encerado de fresco, silêncios, o eco de passos ao longe, sussurros, uma grafonola distante a cantar, o som abafado de um robe caindo sobre a carpete. Lá fora a manhã continua-se pelo jardim luxuriante e pela fonte. Um tempo feliz. Passado e Presente onde fiquei à procura do segredo de quem sabe amar e a perguntar porquê.
VT

Sag warum - Camillo Felgen

sábado, 18 de julho de 2009

Beco do Cupido

Vereda mítica onde paira o pólen do desejo. Lugar de beijos de namoros de amores de línguas que se acariciam desesperadas de corpos vibrantes entrelaçados de fazer amor de olhos abertos na atmosfera vermelho espessa do meio da noite.
VT

Morrer de Amor
(Maria Teresa Horta)

Morrer de amor ao pé da tua boca
Desfalecer à pele do sorriso
Sufocar de prazer com o teu corpo
Trocar tudo por ti se for preciso

Love is a many splendored thing – Four Aces

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Campânulas

Apesar do tempo, as campânulas (1) do antigo jardim abandonado continuam a florescer ao cimo das escadas. Resistem às Estações que passam e as suas cores vivas parecem querer manter a atmosfera de antes – em cumplicidade com as pedras, o tanque, a fonte, as escadas e outros vestígios. Há quem diga que têm poderes especiais e nos fazem sonhar ou imaginar situações passadas e futuras, reais ou possíveis. Todas com significado a decifrar. Há muito que se transformaram em estrelas de cor púrpura adormecidas sobre o que resta de um sonho naufragado. É como se subíssemos a bordo de um navio sem marinheiros, errante e antigo onde apenas algumas formas persistem vivas com o objectivo de nos segredarem algo especial.
(1) Ipomoea purpúrea ou Glória da Manhã, Corda-de-viola, Corriola ou Morning Glory é uma espécie de flor do género Ipomea, nativa do México e da América Central. Caracteriza-se por se enlaçar facilmente sobre outras estruturas com os seus galhos. Há quem atribua às suas sementes triangulares efeitos psicadélicos devidos a LSA (idênticos ao LSD).
VT


Estupenda Graça. Pat Metheny & Lyle Mays with Nana Vasconcelos

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Passos

Vestígios de degraus. Escondidos numa antiga quinta abandonada. Passos passados de quem se perdeu e de quem se encontrou. Passos de quem aqui amou, de quem construiu, de quem partiu. Os sorrisos e o desejo esbateram-se como fumo de cigarro e ao fim do dia só o eco de passos clandestinos, pegadas e sombras.
VT

Love is like cigarette - Caroline Henderson

segunda-feira, 13 de julho de 2009

domingo, 12 de julho de 2009

A cidade do Lago

Acrílico sobre tela. 2m X 1,30m- VT/2007
Isaura, cidade dos mil poços, presume-se que se situe por cima de um profundo lago subterrâneo. Por toda a parte onde os habitantes escavem na terra longos furos verticais conseguem tirar água, e foi até aí e não para além desses limites que se alargou a cidade: o seu perímetro verdejante repete o das margens escuras do lago sepultado, uma paisagem invisível condiciona a visível, tudo o que se move sob o sol é impelido pela onda que bate encerrada sob o céu calcário da rocha. Por consequência, dão-se religiões de duas espécies em Isaura. Os deuses da cidade, de acordo com uns, habitam as profundidades, o lago negro que nutre as veias subterrâneas. Segundo noutros, os deuses habitam os baldes que sobem pelas roldanas quando saem fora das bocas dos poços, nos polés que giram, nos cabrestantes das noras, nas alavancas das bombas, nas pás dos moinhos de vento que puxam a água dos furos artesianos, nos castelos das plataformas que sustêm o aparafusar das sondas, nos reservatórios suspensos sobre os tectos em cima de andas, nos arcos finos dos aquedutos, em todas as colunas de água, nos canos verticais, nos ferrolhos, nas válvulas, até às girândolas que se sobrepõem aos andaimes aéreos de Isaura, cidade que se move toda para cima.
(Em “As cidades invisíveis” de Italo Calvino)


Glorianna - Vangelis

sábado, 11 de julho de 2009

Dedicated to you

O disco John Coltrane & Johnny Hartman é frequentemente citado por múltiplos críticos e apreciadores de Jazz como um clássico e um dos 10 melhores no género (jazz vocal masculino). É consensual, actualmente, entre os “Jazz lovers” que a quantidade de grandes cantores de jazz tem vindo a diminuir, sendo hoje muito reduzido o número dos que são considerados como tal (ex. Kurt Elling). Curiosamente este disco, gravado em 7 de Março de 1963, é o único em que Coltrane se faz acompanhar por uma voz, tendo sido escolhida (pelo sax-tenor) uma das melhores e mais fortes daquela altura. De facto J. Hartman (1923 - 1983) tinha uma voz de barítono excepcional, e especializara-se em baladas tendo um repertório em parte sobreponível ao de Nat King Cole. Morreu de cancro do pulmão tendo produzido discografia escassa. A sua interpretação de Lush life entrou, em 2000, para o “Grammy Hall of Fame”. É pouco conhecido e lembrado e vai merecer que a ele voltemos num futuro post, até porque na faixa que escolhi deste disco, a voz de Hartman só aparece no início e no final complementando um dos solos mais fabulosos da história do Jazz. De facto Coltrane consegue uma das mais “doces” e comoventes interpretações de sempre – parecendo que está a pensar e a vibrar com cada palavra da letra enquanto sopra a melodia suavemente… com um colorido especial... como a foto das flores de hoje... dedicated to you.
VT
Dedicated to you – John Coltrane & Johnny Hartman

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Terraço

Palacete Almeida Araujo. Foz do Arelho.

No Terraço
A Ausência Eternamente debruçada
Sobre as manhãs do mar
VT

Stay With Me Baby –The Walker Brothers

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Plátanos

Abóbada de vidro verde filtrando o sol que respiro na luz especial que cintila nos teus lábios.
VT
Memories of Green - Vangelis

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Dunas

Dunas
(Eugénio de Andrade)
É o mar do deserto, ondulação sem fim das dunas, onde dormir, onde estender o corpo sobre outro corpo, o peito vasto, as pernas finas, longas, as nádegas rijas, colinas sucessivas onde o vento demora os dedos, e as cabras passam, e o pastor sonha oásis perto, e o verde das palmeiras se levanta até à nossa boca, até à nossa alma com sede doutras dunas, onde o corpo do amor seja por fim um golo de água.

In dreams – Roy Orbison

terça-feira, 7 de julho de 2009

Cidade suspensa

Acrílico sobre tela. 130cm X 80cm. VT em 2007.

“Depois de ter caminhado sete dias através de bosques, quem vai para Bauci não consegue vê-la e no entanto já lá chegou. São as finíssimas andas que se elevam do solo a grande distância umas das outras e se perdem acima das nuvens que sustêm a cidade. Sobe-se com escadotes. No chão os habitantes raramente se mostram: têm já tudo de que precisam lá em cima e preferem não descer. Nada da cidade toca o solo à excepção daquelas pernas compridíssimas de fenicóptero em que assenta e, nos dias luminosos, uma sombra perfurada e angulosa que se desenha na folhagem. Três hipóteses se põem aos habitantes de Bauci: que odeiam a Terra; que a respeitam a ponto de evitar qualquer contacto; que a amam tal como ela era antes deles. E com binóculos e telescópios apontados para baixo não se cansam de passá-la em resenha, folha a folha, pedra a pedra, formiga por formiga, contemplando fascinados a sua própria ausência.”
(Em “As Cidades Invisíveis” de Italo Calvino)
-
Blossoms in the Wind - Stephan Micus

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Varandim

Uma nova perspectiva do varandim do Palacete Almeida Araújo, para quem quer continuar a dançar…

Fools rush in
Where angels fear to tread
And so I come to you my love
My heart above my head
Though I see
The danger there
If there´s a chance for me
Then I don´t care
Fools rush in
Where wise men never go
But wise men never fall in love
So how are they to know
When we met
I felt my life begin
So open up your heart and let
This fool rush in

Fools rush in – Frank Sinatra

domingo, 5 de julho de 2009

O outro lado

Passamos a Vida, aos pulos, deste lado. Obviamente queremos saber o outro lado. Mas estamos deste lado, precisamente, para querer saber. Porque se soubessemos não era preciso espreitar.
VT
Someone To Watch Over Me – Chet Baker

sábado, 4 de julho de 2009

Reflexos

Momento absolutamente único
Antes de escurecer
Antes de ficarmos
A dançar na respiração da noite
VT
Dancing in the dark – Diana Krall

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Folhas caídas

Depois de conversarem ao sol
As folhas juntaram-se no chão
Abraçadas
Vestidas com tons de serenidade
Um quadro a meus pés
Um tapete chamado destino
A voz da terra
Um silêncio
Que me faz sentir
Em mim
VT


Les Feuilles Mortes - Yves Montand

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A musa

Ao longe a estátua nua
Solidão de mármore sobre o mar
Décadas de melancolia a desenhar o horizonte
Gotas de orvalho desconhecido brilham nos olhos fechados
Apetece abrir a porta do seu silêncio e partilhar o sonho
VT

Till - Tony Bennett

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O banco vermelho

Agora mesmo
Este encontro
Tu e eu
Num banco vermelho
Recordando pequenas coisas
Que ainda não aconteceram
VT

These foolish things - Helen Merril e Fenando Caiati