domingo, 5 de julho de 2009

O outro lado

Passamos a Vida, aos pulos, deste lado. Obviamente queremos saber o outro lado. Mas estamos deste lado, precisamente, para querer saber. Porque se soubessemos não era preciso espreitar.
VT
Someone To Watch Over Me – Chet Baker

9 comentários:

Anónimo disse...

Porque insistimos tanto no "outro lado" se nos recusamos recorrentemente a ver este?
Será que estar deste lado é por si só de tal forma redundante como "querer saber" o outro lado?
Será sempre bastante ver nunca suficiente espreitar.

VT disse...

Precisamente. A "missão" é aprender e saber este lado. Só assim se conseguirá espreitar com algum sucesso para o outro lado - que julgamos existir.
Provavelmente quando soubermos mais... concluiremos que não há lados...
Eem resposta à pergunta: " O que andamos cá a fazer neste mundo (lado)?"... uma parábola budista refere : Mas a pergunta é, precisamente a resposta. Porque se já soubessemos tudo escusávamos de andar...
VT

Anónimo disse...

Ouça VT, a pergunta não é efectivamente a colocada, ou seja: a dúvida a haver está exactamente no seu contrário, não será melhor ocupar-mo-nos (d)neste lado e o outro "que julgamos existir" acontecerá se...
Creio que de igual modo não interromperemos a caminhada

Isabel disse...

E se Todos os lados forem simultaneamente o mesmo...?

VT disse...

A pergunta referida no meu comentário faz parte da parábola e é colocada por um discípulo a um monge - cuja resposta, quanto a mim, quer dizer exactamente que devemos ocuparmo-nos d(n)este lado (tal como o(a) Exº ª anónimo(a) diz) do melhor modo possível (via recta ou com rectidão). Quanto melhor nos ocuparmos (e isso tem significados precisos para a filosofia budista) - melhor e sem dor será a caminhada "não interrompida" e melhor acontecerá quando se atingir o lado de lá ( para os Budistas atingir o Nirvana será o ponto perfeito e de não retorno). Ou seja, o meu comentário no post procurou apenas fazer alusão ao modo de pensar supracitado e não estabelecer dogmas ou escola. Provocar o raciocínio nos outros é sempre bom. VT

VT disse...

Isabel... Já referi tal no meu 1º comentário. O termo "lado" foi usado simbólicamente. Há outra parábola budista que refere exactamente isso. Conta a história de vários cegos em redor de um elefante. O que agarra a cauda julga que se trata de uma vassoura, o que agarra uma pata julga-o uma árvore e o que agarra a tromba interpreta o elefante como uma mangueira... Ou seja a realidade será sempre a mesma - um todo que é interpretado por cada um de modo diferente consoante o ponto de vista onde se encontra (p. ex. as diferentes religiões ou filosofias). Quer dizer também que os nossos sentidos e saber são limitados e insuficientes (enquanto "neste lado") para ver o "elefante"...
VT

Isabel disse...

Concordo em absoluto! Obrigado pela explicação.

VT disse...

Obrigado Isabel (só agora é que percebi qual Isabel).
Bjs
VT

Isabel disse...

..e acho muito "saudável" querer ver o outro lado e querer saber mais. Gostei sobretudo da parábola do elefante.Bjs
Isabel Cx