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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023
terça-feira, 21 de fevereiro de 2023
sábado, 18 de fevereiro de 2023
terça-feira, 14 de fevereiro de 2023
Vanille Havane
Vanille Havane (EDP) - 2020 by Antoine Lie. Les Indemodables
Notas:
Tabaco, Rum, Baunilha Grand Comores, Cacau da Colômbia, Frutos secos, Canela, Cravinho, Cardamomo, Âmbar, Couro, Notas amadeiradas, Notas florais / Jasmim do Egipto.
Maturação: 2 semanas. Maceração: 1 semana.
Fragrância sofisticada, rica, profunda com um tabaco louro seco, “boozy” e especiada com uma dose saudável de cacau quente e baunilha - assente numa base de âmbar e couro macio de camurça.
Mais parecido com o Bourbon do Hans Hendley (sobre o qual aqui fiz uma review em 2018) do que com o Tobacco Vanilla do Tom Ford como tem sido anunciado por outros reviewers.
Confesso que estava receoso por se tratar de um trabalho de Antoine Lie porque este perfumista utiliza frequentemente “bombas” químicas (cujo cheiro detecto e detesto) para conferir projecção – como p. ex. algumas das fragrâncias da Puredistance.
Mas nada disso. Matéria prima “raw” e de boa qualidade como é imposto pela própria marca.
Beneficia do acesso da marca Les Indémodables a ingredientes de origem extraídos no laboratório do Atelier Français Des Matière usando técnicas ecológicas inovadoras que resultam em ingredientes com qualidades requintadas e específicas.
Ex.: O jasmim poderoso da AFDM foi obtido pela destilação de concreto de jasmim com água em vez do álcool usual para criar uma essência em vez de um absoluto. O cacau colombiano com um intenso perfil de chocolate amargo e balsâmico foi elaborado usando um solvente verde junto com uma tecnologia de ultrassom, cuja extração a baixa temperatura ajuda a preservar todo o espectro do perfil olfativo do cacau.
Se valorizarmos esta qualidade da matéria-prima o preço fica parcialmente justificado.
É uma fragrância suave, quase discreta e com projecção moderada. Ao fim de 1 a 2h é quase um “scent skin” mas com duração de cerca de 10h.
A interpretação da baunilha é interessante porque não se utiliza a baunilha sintética/ artificial habitual e se consegue antes um acorde com aroma de vagens de baunilha que se partem com a mão. É adocicado escuro e um gourmand que não parece gourmand.
Composição complexa e com um equilíbrio muito bem conseguido, nada linear.
Reparei que se exagerarmos na quantidade de sprays abafamos os aspectos multifacetados deste perfume.
Com poucos sprays sentimos melhor a brisa morna dum belo Cohiba exalando da nossa pele enquanto saboreamos um leite creme com açúcar queimado.
Com entrada directa no Top 10 dos perfumes com nota Tabaco.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023
domingo, 29 de janeiro de 2023
Falcão peregrino habitando pela 1ª vez a Mata Rainha D. Leonor
Pela primeira vez é avistado um falcão peregrino (Falco peregrinus) a habitar a Mata das Caldas. Desde há cerca de uma semana parece ter decidido “assentar praça” e todos os dias ao fim da tarde é visto a banquetear-se com um pombo no alto de um eucalipto. Parece ser uma fêmea devido à corpulência e à cor mais cinzenta. Apesar do seu poiso ficar a mais de 100m de distância não resisti em fotografar pela importância que tem em termos de registo para a história da própria Mata – e porque em geral não são aves de ambientes florestais, preferindo montanhas, penhascos, pradarias, estepes e desertos.
É considerado o animal mais veloz do mundo, podendo atingir cerca de 320 km/h.
Em Portugal, o falcão-peregrino tem uma distribuição bastante alargada, embora dispersa, que compreende grande parte da região Norte e a parte central da região Centro e ainda as arribas marinhas de Portimão-Alvor até Sines, da serra da Arrábida até ao Cabo Mondego, não ocorrendo ou sendo raro na restante área.
Na faixa costeira do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV), encontra-se uma boa percentagem das aves que vivem em Portugal. Segundo o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), há apenas 79 a 100 casais de falcões-peregrinos em Portugal.
Nota: A Mata Rainha D. Leonor, também conhecida por Mata das Caldas, tem desde há muito referida uma boa diversificação de aves: rolas, pombos, pardais, piscos de peito ruivo, rouxinóis, pintassilgos, verdelhões, poupas, gaios, melros, corvos, tordos, alvéolas, garças, etc. Desde há poucos anos tem sido avistado uma colónia de periquitos de colar com bastantes elementos. Não se encontraram registos de anteriormente falcões peregrinos habitarem a Mata das Caldas.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2023
sábado, 21 de janeiro de 2023
quinta-feira, 15 de dezembro de 2022
Na Lareira da Memória
Maderas de Oriente Oscuro é facilmente associado a madeiras escuras queimadas. Para mim é uma espécie de regresso a memórias olfactivas ligadas a uma lareira portuguesa no interior do país. Há tempos publiquei aqui a sugestão de combinar o Hyde com o Slowdive. Pois bem esta fragrância é muito semelhante àquela combinação mas em vez de “birch tar” tem fumo de lareira - e também uma dose de mel mais suave.
Parece que estou a tomar um pequeno-almoço com mel caseiro à frente de uma lareira numa aldeia perdida no interior deste nosso Portugal. Lá fora há frio, chuva e o vento do Inverno. Dentro de casa aconchegamo-nos junto do fogo e o cheiro de fumo adocicado agarra-se à pele, ao cabelo e à roupa. Quando formos dormir levamos este cheiro a lareira para dentro dos cobertores e dos sonhos.
Na pele, o perfume abre forte e com um complexo aroma bastante esfumaçado, como se estivéssemos realmente a sentir perto de nós madeiras a arder. Mas não sinto o fumo como um acorde litúrgico. Antes como uma queima de madeiras aromáticas e resinosas apanhadas num bosque escuro salpicado de musgo e de cogumelos misteriosos.
Na fase intermédia acentuam-se as notas adocicadas do mel e da cereja que nos confortam e domesticam a espiral de fumo inicial. Há uma sensação também de tabaco louro e uma vibe terrosa e picante.
Não é uma criação para principiantes, nem para quem anda ainda apenas pela perfumaria “mainstream”, mas para quem procura algo diferente e conceptual. Um perfume que não trará “compliments”. Não é um aroma facilmente “wearable” mas antes para quem tem a ousadia de mergulhar provavelmente a sós numa experiência quase meditativa profunda e radical. Uma experiência em que não queremos saber de “compliments” exteriores mas apenas em estarmos recolhidos na nossa paisagem interior. Onde nos sentimos bem.
domingo, 4 de dezembro de 2022
Little Song (2018) by Meo Fusciuni
Tudo pode começar na cozinha de uma casa feita com madeiras antigas e com o aroma de um montículo de grãos de café no centro de uma mesa iluminada por um feixe de luz.
Há uma aura melancólica e introspectiva. O aroma é delicado e não projecta com bombas químicas.
Há pequenas nuvens poeirentas no ar e ao fundo abre uma porta enorme por onde entramos para uma biblioteca. As prateleiras de livros e as escadas sobre escadas conduzem a uma cúpula distante. Tão distante que temos dificuldade em perceber onde acaba o espaço surreal onde paira um perfume místico de madeiras e pergaminhos. Uma fragrância leve, suave e intimista. Um sítio de solidão e recordações doces.
Na atmosfera permanece a nota de café (em grão e não já feito na chávena) profunda e realista, repousando sobre pétalas de rosas cor de nostalgia. Este namoro poético entre o café e a rosa cede lugar gradualmente ao calor crescente do tabaco e dos tons amadeirados e resinosos. Alguém passou recentemente por aqui fumando um Cohiba.
Finalmente no drydown passa uma brisa de musk, labdanum e vetiver.
Tudo numa semiobscuridade com discretos acordes alcoólicos que convidam a um estado meditativo e abstracto. É aconchegante, “earthy” e silenciosa.
Sentamo-nos junto a uma mesa num canto escuro e misterioso. Em cima está uma máquina de escrever antiga onde dorme uma folha de papel com algumas linhas escritas. Ao lado há uma máquina de projectar. Acendo-a e num ecrã distante surge a imagem de Nick Cave. Pouco depois o som de uma das suas canções convida-nos a ficar.
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