sábado, 29 de novembro de 2014

I asked for Love

I asked for Love - Lisa Gerrard

“O que torna Árgia diferente das outras cidades é que em vez de ar tem terra. As ruas estão completamente cobertas de terra, as salas cheias de argila até ao tecto, sobre as escadas assenta outra escada em negativo, por cima dos telhados das casas pairam camadas de terreno rochoso como céu com nuvens. Se os habitantes poderão andar pela cidade alargando os cunículos dos vermes e as fendas em que se insinuam as raízes, não o sabemos: a humidade quebra os corpos e deixa-lhes poucas forças; convém que fiquem quietos e deitados, de tão escura que é. De Árgia, cá de cima, não se vê nada; há quem diga: “É lá em baixo” e só nos resta acreditar; os lugares são desertos. De noite, encostando o ouvido ao chão, às vezes ouve-se bater uma porta.” (Italo Calvino in “As cidades Invsíveis”)

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Sketches from the beach VIII

Com esta série de imagens, com grandes espaços e pequenas silhuetas, tentei com pouco expressar o muito que representa a praia e o mar – mormente o ambiente mágico dos fins de tarde em que os planos sucessivos e a profundidade são essenciais.
Também uma homenagem ao grande autor de banda desenhada: Hugo Pratt, criador de Corto Maltese, com um estilo dirigido à simplificação, que dizia: “Queria chegar a dizer tudo com uma linha”. De facto as suas histórias apresentam-se com um grafismo muito próprio, e de grande beleza, onde se inscrevem traços simples precisos e delicados. 

domingo, 23 de novembro de 2014

Sketches from the beach VII

Com esta série de imagens, com grandes espaços e pequenas silhuetas, tentei com pouco expressar o muito que representa a praia e o mar – mormente o ambiente mágico dos fins de tarde em que os planos sucessivos e a profundidade são essenciais.
Também uma homenagem ao grande autor de banda desenhada: Hugo Pratt, criador de Corto Maltese, com um estilo dirigido à simplificação, que dizia: “Queria chegar a dizer tudo com uma linha”. De facto as suas histórias apresentam-se com um grafismo muito próprio, e de grande beleza, onde se inscrevem traços simples precisos e delicados. 

sábado, 22 de novembro de 2014

Sketches from the beach VI

Com esta série de imagens, com grandes espaços e pequenas silhuetas, tentei com pouco expressar o muito que representa a praia e o mar – mormente o ambiente mágico dos fins de tarde em que os planos sucessivos e a profundidade são essenciais.
Também uma homenagem ao grande autor de banda desenhada: Hugo Pratt, criador de Corto Maltese, com um estilo dirigido à simplificação, que dizia: “Queria chegar a dizer tudo com uma linha”. De facto as suas histórias apresentam-se com um grafismo muito próprio, e de grande beleza, onde se inscrevem traços simples precisos e delicados. 

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Sketches from the beach V

Com esta série de imagens, com grandes espaços e pequenas silhuetas, tentei com pouco expressar o muito que representa a praia e o mar – mormente o ambiente mágico dos fins de tarde em que os planos sucessivos e a profundidade são essenciais.
Também uma homenagem ao grande autor de banda desenhada: Hugo Pratt, criador de Corto Maltese, com um estilo dirigido à simplificação, que dizia: “Queria chegar a dizer tudo com uma linha”. De facto as suas histórias apresentam-se com um grafismo muito próprio, e de grande beleza, onde se inscrevem traços simples precisos e delicados. 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Sketches from the beach IV

Com esta série de imagens, com grandes espaços e pequenas silhuetas, tentei com pouco expressar o muito que representa a praia e o mar – mormente o ambiente mágico dos fins de tarde em que os planos sucessivos e a profundidade são essenciais.
Também uma homenagem ao grande autor de banda desenhada: Hugo Pratt, criador de Corto Maltese, com um estilo dirigido à simplificação, que dizia: “Queria chegar a dizer tudo com uma linha”. De facto as suas histórias apresentam-se com um grafismo muito próprio, e de grande beleza, onde se inscrevem traços simples precisos e delicados. 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

"O Senhor dos Livros"

Hermínio de Oliveira é uma figura das Caldas da Rainha. Um Alfarrabista que ama os livros e a Cultura. Sobre ele escreveu João B. Serra (Álbum de Figuras Caldenses 1990/1991 de Vasco Trancoso) um texto do qual se extraíram os seguintes excertos:

“Este homem transbordante parece ter sido destinado a trazer até nós o admirável mundo perdido das aristocracias operárias. Hermínio de Oliveira herdou, e participou, num tempo em que tipógrafos, chapeleiros, sapateiros, oleiros, etc. se associaram paras os mais variados fins, humanitários, mutualistas, sindicais, desportivos, de instrucção. Acreditam e praticam a solidariedade, admiram as almas generosas, foram tocados pela tradição anticlerical, têm o culto dos heróis cívicos e ouvem a voz da Pátria, com a qual não recusam admitir que se emocionam.”… “ Hermínio Martins de Oliveira, nascido em 1926, sabe como ninguém colocar-nos em contacto com esse mundo…”…” A sua loja, mais do que um local de trabalho, é não só uma relíquia viva duma época irremediavelmente desaparecida, como uma mesa hospitaleira e calorosa de convívio.”…”Este autodidacta., que ficou órfão de pai aos 9 anos, acumulou saberes acerca de quase tudo”… “É uma inesgotável fonte de conhecimentos, que permanentemente nos surpreende…” …” Mas o seu amor aos livros faz com que muitas vezes oculte a existência de um livro só porque ainda o não leu…”…” Foi alfaiate, quis ser jornalista, vendeu antiguidades e tintas, foi vereador depois de Abril e deputado ao tempo do bloco central.”…”Recusa-se a ganhar dinheiro nos negócios. Tem amigos, não tem “conhecidos””... “Tem o prazer e a coragem de viver como gosta.”

terça-feira, 18 de novembro de 2014

D. Guilhermina

Também neste caso não há duas sem três. De facto trata-se de uma sequência de três retratos que é também uma homenagem às três vendedoras mais idosas do célebre Mercado das Caldas da Rainha.
A D. Guilhermina é uma quase nonagenária que vende os seus produtos hortícolas na tradicional Praça da Fruta das Caldas da Rainha. Tal como a D. Assunção e como a D. Rosa. Todas residentes no Concelho onde é realizado o mercado. Pertencem à geração de vendedores/produtores mais antigos que vendem na Praça (começaram entre os 7 e 18 anos).
A Praça tem uma enorme importância (e mais-valia) histórica e uma originalidade que advém da sua cobertura celeste. Mas a Praça não se faz apenas com o empedrado do tabuleiro e com a pontualidade do céu aberto.

Faz-se também com as Pessoas.

D. Rosa

A D. Rosa é uma quase nonagenária que vende os seus produtos hortícolas na tradicional Praça da Fruta das Caldas da Rainha. Tal como a D. Hermínia e como a D. Assunção. Todas residentes no Concelho onde é realizado o mercado. Pertencem à geração de vendedores/produtores mais antigos que vendem na Praça (começaram entre os 7 e 18 anos).
A D. Rosa não parou de sorrir e rir pelo facto de estar a ser retratada. Porque, como disse: - De tristezas está o mundo cheio. E baixou os olhos num gesto medido pelo pudor íntrinseco.
A Praça tem uma enorme importância (e mais-valia) histórica e uma originalidade que advém da sua cobertura celeste. Mas a Praça não se faz apenas com o empedrado do tabuleiro e com a pontualidade do céu aberto. Faz-se também com as Pessoas.
Bem-haja D. Rosa e continue a brindar-nos com a sua boa disposição. 

D. Assunção

D. Assunção é uma quase nonagenária que vende os seus produtos hortícolas na tradicional Praça da Fruta das Caldas da Rainha. Tal como a D. Hermínia e como a D. Rosa. Todas residentes no Concelho onde é realizado o mercado. Pertencem à geração de vendedores/produtores mais antigos que vendem na Praça (começaram entre os 7 e 18 anos).
A Praça tem uma enorme importância (e mais-valia) histórica e uma originalidade que advém da sua cobertura celeste. Mas a Praça não se faz apenas com o empedrado do tabuleiro e com a pontualidade do céu aberto. Faz-se também com as Pessoas.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Sketches from the beach III

Com esta série de imagens, com grandes espaços e pequenas silhuetas, tentei com pouco expressar o muito que representa a praia e o mar – mormente o ambiente mágico dos fins de tarde em que os planos sucessivos e a profundidade são essenciais.
Também uma homenagem ao grande autor de banda desenhada: Hugo Pratt, criador de Corto Maltese, com um estilo dirigido à simplificação, que dizia: “Queria chegar a dizer tudo com uma linha”. De facto as suas histórias apresentam-se com um grafismo muito próprio, e de grande beleza, onde se inscrevem traços simples precisos e delicados. 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Sketches from the beach II

Com esta série de imagens, com grandes espaços e pequenas silhuetas, tentei com pouco expressar o muito que representa a praia e o mar – mormente o ambiente mágico dos fins de tarde em que os planos sucessivos e a profundidade são essenciais.
Também uma homenagem ao grande autor de banda desenhada: Hugo Pratt, criador de Corto Maltese, com um estilo dirigido à simplificação, que dizia: “Queria chegar a dizer tudo com uma linha”. De facto as suas histórias apresentam-se com um grafismo muito próprio, e de grande beleza, onde se inscrevem traços simples precisos e delicados. 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Sketches from the beach I

Com esta série de imagens, com grandes espaços e pequenas silhuetas, tentei com pouco expressar o muito que representa a praia e o mar – mormente o ambiente mágico dos fins de tarde em que os planos sucessivos e a profundidade são essenciais.
Também uma homenagem ao grande autor de banda desenhada: Hugo Pratt, criador de Corto Maltese, com um estilo dirigido à simplificação, que dizia: “Queria chegar a dizer tudo com uma linha”. De facto as suas histórias apresentam-se com um grafismo muito próprio, e de grande beleza, onde se inscrevem traços simples precisos e delicados. 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Mestre Ferreira da Silva

Ferreira da Silva é uma figura ímpar das artes portuguesas e é considerado, na actualidade, o maior vulto das Artes nas Caldas da Rainha. É autor de uma obra multifacetada: na escultura, gravura, desenho e pintura.
Natural (1928) do Porto trabalhou em várias empresas das quais se destacam a extinta Fábrica Secla, A Molde e o Cencal – todas em C. da Rainha. 
Desde 1957 é considerado como fazendo parte das principais figuras no panorama das artes portuguesas, tendo criado um estilo próprio. As suas peças foram desde muito cedo elogiadas pela crítica tendo sido galardoado, em 1964, com o Prémio Nacional de escultura Soares dos Reis. Em 1967 foi bolseiro (F. Gulbenkian) em Paris onde foi influenciado pela obra cerâmica de Picasso.
Está representado em inúmeras colecções privadas e em museus e as suas obras ocupam espaços públicos não só nas Caldas da Rainha mas também no restante país e no estrangeiro.
O ferro, o vidro e sobretudo e cerâmica são os materiais em que de forma mais persistente tem trabalhado, aliando um profundo conhecimento técnico a uma larga experiência oficinal. Algumas das suas composições são assemblages, modalidade em permanente inovação para Ferreira da Silva. Foi galardoado com a medalha de mérito Grau Ouro da Cidade.

Bibliografia consultada: “Ferreira da Silva: biografia breve e nota bibliográfica" de J. B. Serra (Professor da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha) in Cidade Imaginária. 

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O amigo

Esta foto pretende essencialmente chamar a atenção para o modo como, muitas vezes, são explorados os melhores amigos do homem. Não o merecem. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

domingo, 2 de novembro de 2014

Café Central

O Café Central é talvez o mais antigo e emblemático estabelecimento deste tipo nas Caldas da Rainha. Foi erigido na carismática Praça da Fruta, durante a década de 1930, praticamente no local onde existiu, no final do Séc. XVIII, o mais antigo café das Caldas. O primeiro dono foi Franklin Galinha e proporcionava grandes petiscadas a cargo do Henrique dos jornais (famosa a sua lagosta suada). Tinha uma tabacaria em anexo (a Havaneza) e era concessionário de jornais. Em 15 de Maio de 1955 reabre remodelado, agora propriedade da família Freitas. Na cave surgem um bar, bilhares e outros desportos não de só estratégia mental mas também política – já que se tornaria num local de reunião da oposição local. De entre as diferentes intervenções salientamos a do célebre painel dos unicórnios (na imagem) executado pelo pintor Júlio Pomar. Adoptado então pela esquerda Caldense, pelos artistas e intelectuais, bem como pelos jovens, depressa se transformou num centro típico das tertúlias de Café.
Ainda hoje existe após recuperação em 1996 que conservou o seu ex-libris: o painel dos unicórnios.

sábado, 1 de novembro de 2014

A beira da estrada

À beira das estradas Portuguesas vão-se instalando novos paradigmas a merecer narrativa fotográfica. Assim em vez de belas paisagens naturais surgem cada vez mais negócios da berma do asfalto. Para além das tradicionais vendas de produtos hortícolas aparecem padarias ambulantes ao lado de novos agregados populacionais construídos com epicentro em supermercados ou gasolineiras. São polos de uma nova morfogénese que nega o conceito clássico de cidade. Ao lado do hipermercado surgem: a pensão “Nelita”, uma loja de móveis associada a venda de olaria e estatuária anódina onde não faltam as águias e os leões de pedra (do pai da Nelita), restaurantes atípicos e cafés de alumínio, vivendas bacocas, etc. Estas neo-urbanizações funcionais alternam com lixo, bidons, plásticos, poeira e campos onde o verde vai sendo substituído pela cor da ferrugem de sucata automóvel. É a geração de um real sem origem tradicional que vai contaminando a nossa paisagem. Esta imagem mais não é do que o reconhecimento da banalidade em todo o seu esplendor a balizar os caminhos de Portugal.