quarta-feira, 30 de junho de 2010

O mistério das papoilas desaparecidas

Este ano algo de inusitado aconteceu às papoilas em redor da Lagoa de Óbidos e entre a Foz do Arelho e as Caldas da Rainha. Habitualmente quando passamos, em Maio e Junho, por estas áreas, deparamos com a alegria vermelha das papoilas pintando grandes extensões da paisagem campestre, aliás como é normal acontecer em muitos outros locais do país nesta época do ano. Mas este ano são raros e pequenos os tufos de papoilas que se observam. Não sei qual a razão. Não sei se houve alguma praga de insectos ou se há a concorrência de outras plantas ou ainda outras explicações mais bizarras. Apenas trago a questão. O que aconteceu às papoilas em redor da Lagoa de Óbidos?
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Where Have All The Flowers Gone? - Marlene Dietrich 

9 comentários:

jorge manuel brasil mesquita disse...

Será que o facto se deveu a algum aumento inesperado de alguma poluição desconhecida? O Município poderia investigar e chegar a alguma conclusão.
Gosto mais da versão do Pete Seeger. Nunca ouvi esta.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Lisboa, 30/06/2010
etpluribusepitaphius.blogspot.com

Submarino Amarelo disse...

Nada sei sobre as papoilas nem o seu misterioso desaparecimento...
Mas sei que Pete Seeger escreveu no início da década de 50 uma canção apenas com 3 versos:

"Where are the flowers, the girls have plucked them.
Where are the girls, they've all taken husbands.
Where are the men, they're all in the army."

que são de uma canção do folclore ucraniano do Séc. XVIII.
Joe Hickerson, cantor e estudioso do Folk USA, acrescentou em 1960 os versos que hoje conhecemos e o Kingston Trio, primeiro, e Peter Paul & Mary depois, tornaram-na um hino da esquerda americana.

Inúmeras versões se seguiram,penso que esta foi para um disco ou um espectáculo a favor da UNICEF.

Isabel X disse...

A questão final é bonita por si mesma, ser ser respondida. Mesmo assim, tentando fazê-lo: deve ser do clima tão terrível que tivemos este ano.

É bom ter essa atenção à Natureza, dar pela falta da alegria das papoilas.

- Isabel X -

jorge manuel brasil mesquita disse...

Gostaria de carescentar mais umas coisinhas sobre a belíssima canção "Where have all the flowers gone". Foi composta por Pete Seeger e há uma bela versão de Pete Seeger com o seu neto Tao-Rodriguez-Seeger no YouTube. Há ainda uma outra bela versão, igualmente no YouTube, do Kingston Trio. Sinceramente, não gostei da versão da Marléne.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Lisboa, 01/07/2010
etpluribusepitaphius.blogspot.com

Submarino Amarelo disse...

Para que não fiquem dúvidas:

"WHERE HAVE ALL THE FLOWERS GONE"
words by Pete Seeger and Joe Hickerson / music by Pete Seeger /
arrangement by Seeger/Hickerson ,
conforme registo de 1955, renovado em 1961 (Fall River Music Inc.)

Quem ler a biografia de Pete Seeger sabe que foi ele próprio que exigiu que o Kingston Trio atribuisse a composição a Seeger/Hickerson e não a Traditional/Pete Seeger conforme aparecia na 1ª edição do single.

Já confirmei também que a versão aqui apresentada é uma das três versões gravadas (em Inglês, Francês e Alemão)pela actriz em benefício da UNICEF em 1962. A versão alemã foi a primeira música nessa língua autorizada a ser publicamente difundida no Estado de Israel em 1965.

Anónimo disse...

Pois de facto, o que terá acontecido?
Podem ser várias as hipoteses....Talvez as assustasse a poluição sonora que se fez sentir durante meses com as obras que decorreram na Lagoa; talvez alterações climáticas que a nós poderão passar mais despercebidas; talvez como teem caracteristica "saltitante", (como a "alegria"), tenham saltitado para outras paragens mais distantes; talvez tenham descoberto o efeito sedativo que as suas folhas podem ter e terem-nas "mondado" despercebidamente (:)... ), talvez (!,?), talvez nada disto.....O que importa é que apesar de poucas ainda existem e fazem-se notar chamando a atenção a quem lhes é sensivel....

Quase escondidas pelas "plumas", ambas inclinadas pela força do vento, estas papoilas conseguem chamar a si a Luz e o nosso Olhar, tal é o Poder da sua Côr.

Parecem ser frágeis (a flor é muito fragil, chegando a durar apenas algumas horas - cerca de um dia), mas são plantas de grande resistencia, por isso acredito que voltarão... desde que existam as condiçoes naturais necessárias...
Abraço
AC

VT disse...

Agradecendo os contributos do Jorge Mesquita, do Submarino, da Isabel X e de AC... e depois de fazer alguma pesquisa fico inclinado para a hipótese das alterações climáticas verificadas no último Inverno e Primavera na região Oeste do país. Ou seja, mais uma vez as mudanças ambientais em particular e no global.
Não coloquei o Pete Seger como era minha intenção porque no Yutube só encontrei apenas versões ao vivo onde o barulho da assistência e ou a conversa preliminar antes da música não constituia a melhor opção como banda sonora de uma imagem no blogue. Acresce que a versão (1962) da Marlene é a mais conhecida/popular e facilmente identificável.
Ainda a propósito da imagem... Foi colhida ao fim do dia com luz rasante por detrás das espigas e das flores - obtendo assim o efeito "vibrante" dos elementos na respectiva composição que me deu grande prazer realizar.
Bem hajam
VT

Maria, Simplesmente disse...

As papoilas vermelhas são frágeis, tão frágeis que quase se desfazem quando lhes tocamos.
Se elas desaparecerem... a Terra perde parte da sua beleza.
A poluição é grande e a utilização de químicos cada vez maior.
VT, boa semana.
Maria

Anónimo disse...

Desapareceu uma papoila da redoma dos meus braços. Não me lembro de a ter esquecido, nem quando se desfizeram os laços. Aquela papoila não era como as outras, chegou espalmada num envelope crestado. Lá dentro o carmim, como o suspiro de um beijo represado.

A Aldeã