segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Outros cogumelos da Mata das Caldas II

Armillaria mellea
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Inonotus hispidus
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Injection - Hans Zimmer

Como estamos no tempo em que surgem muitos cogumelos, e na sequência de outros “posts” com ou sobre cogumelos da Mata das Caldas (ver etiquetas), publicamos hoje mais quatro imagens destes fungos que escolheram este espaço verde como “habitat”. Dois foram identificados com a preciosa ajuda (mais uma vez) da Dr. Ireneia de Melo. A propósito de um deles (Inonotus hispidus ) e de recentemente terem surgido resultados de investigação, sobre este cogumelo, que apontam para que algumas substâncias dele extraídas, terão propriedades antivirais – mormente contra o vírus da(s) Gripe(s) – concluímos que há ainda muito por descobrir acerca da Natureza e da ajuda que esta pode proporcionar à Humanidade. Aliás há muitos medicamentos válidos e utilizados em Medicina que foram extraídos a partir de plantas (e mais tarde sintetizados). Esta “ajuda” do reino vegetal para minorar o sofrimento humano é conhecida e utilizada desde tempos muito remotos. Durante muitos séculos este conhecimento passaria através da tradição oral até ficar escrito pela 1ª vez na Epopeia do rei Gilgamés. Esta epopeia é anterior à Ilíada, ao Mahabharata e à Bíblia e representa a mais antiga obra literária (escrita cuneiforme) da Humanidade. Aliás, para se investigar a Bíblia há que perceber as suas fontes e descobrir que tem atrás de si cerca de 3 milhares de anos de escrita cuneiforme. De facto naquela Epopeia (que só muito recentemente foi totalmente decifrada e transcrita) fala-se de um mar primordial, da separação entre o Céu e a Terra, da existência de um Inferno e de um Paraíso, da modelação do Homem a partir do barro, do tema de Job, do Dilúvio (com um Noé de nome Ziusudra e uma arca em forma de cubo – com 7 andares), etc. Em determinado momento, quando Gilgamés procurava salvar o seu amigo (alter ego?) Enkidu da morte e de ter regressado à argila, surge Ziusudra, já após o Dilúvio e o último período glaciar, que – para além explicar a Gilgamés que a decisão do deus Enki para que os homens passassem a ter uma duração máxima de 120 anos de vida trará afinal o benefício da possibilidade constante de renovação e aperfeiçoamento da raça – ensina-lhe também sobre a possibilidade do lício marinho e de outras plantas poderem prolongar a qualidade de vida e retirar sofrimento às pessoas. Bom mas apesar da Epopeia de Gilgamés ser uma obra fascinante, que hoje já se encontra transcrita em livro, ela surgiu hoje com o propósito de lembrar que há um mundo por descobrir na Natureza e neste caso nos cogumelos (apesar de se saber alguma coisa sobre determinadas espécies: venenos mortais, propriedades alucinógenas e outras) mas que é apenas uma pequena parte do que ainda pode ser descoberto – se não dermos cabo de tudo antes….

5 comentários:

teca disse...

Gostei especialmente da primeira, mas as outras têm o seu encanto...

Boa semana, querido.
Um beijo carinhoso.

Hellag disse...

uma série de fotos maravilhosa! parabéns, bjs :)

Tina disse...

A história de Gilgamesh era-me vagamente familiar e já tive nas mãos uma tradução portuguesa pertencente a um amigo meu. Na altura não adivinharia que trarias aqui pormenores para me despertarem mais o interesse, pois sempre gostei de mitologia, que me traz mistérios do mundo poderoso que é o Olimpo, onde os deuses possuem dons que prometem beneficiar a espécie humana.
Mistérios bem sugeridos pela fantástica melodia do filme Missão Impossível II, que já revi com prazer, face a estas fotos fascinantes dos cogumelos, tanto dos mais coloridos como as de coloração esbranquiçada, cujo desenho é de um rendilhado apelativo. A última espécie, "Inonotus hispidus", nesta perspectiva recorda-me uma deliciosa sapateira até na cor, mas lá terei de seguir os conselhos dos peritos na matéria...
Esperemos que a evolução do Homem seja no sentido positivo e que não seja uma missão impossível conseguir solucionar os conflitos que ameaçam o nosso belo mundo de ser submerso em mais um dilúvio...
Obrigada pela partilha, Vasco. As fotos estão espectaculares e o enquadramento do assunto bem sugestivo!

Anónimo disse...

...tudo muito interessante, por isso agradeço desde já a partilha...

O mundo dos fungos (micro-organismos) tiveram e teem funções fundamentais na decomposição das matérias orgânicas e nos ciclos de vida....., sendo desde há muito utilizados como fontes de alimento, (como levedantes, etc),na produção de antibióticos, na fermentação de certos produtos (vinhos e cervelas), sendo de grande riqueza enzimática, com caracteristicas bioquimicas e fisiologicas especificas.....

Os Fungos, colonizaram a Terra, há +/-, 480 milhões de anos, muito antes das plantas terrestres, penssando-se que tenham sido primeiramente, aquáticos, tendo desenvolvido entretanto variadissimas estratégias de adaptação ao meio terrestre, aparecendo no entanto em alturas e/ou meios, com elevado nivel de humidade......
Se pensarmos que todo o conhecimento actual, tem por base o Saber Ancestral, produzido com base na evidencia e na constatação directa com a Natureza e se percebermos que muito ainda está para descobrir sobre a mesma e se pensarmos ainda que o Ser Humano, ainda só utiliza cerca de 30% das suas potenciais capacidades cognitivas e se pensarmos na utilização (negativa) que em muitas situações tem feito no uso/abuso, desses sabers,..., teremos todos e mais alguns, motivos de preocupação..., dado que os factos apontam mais para um desequilibrio (no mau sentido) na relação que o Ser Humano fez e fará dos seus conhecimentos, em que o respeito pela Natureza, sua maior riqueza é simplesmente ignorado....
Chamar a atenção para estes factos é muito importante, alertar consciencias e promover outras formas de estar e viver, urge, em defesa da propria existencia humana....
Por mim, continuarei sempre muito atenta, tentando sentir tudo o mais e procurando a vivencia equilibrada entre o Mar e a Terra...,atenta, cautelosa e em renovação/adaptação sempre que necessario e ou desejado for, tendo em linha de conta o "passado", e a aprendizagem sobre ele ( uma especie de "epopeia"...). A hipotese de podermos vir a viver mais no Mar do que na Terra, se calhar não será tão ficticia como parece...(!!!). Parabens pelas fotos e pela reflexão subjacente...
Abraço
AC

VT disse...

Obrigado Teca pela Atenção e simpatia. Contamos sempre com a sua presença.
Obrigado Hellag pela generosidade e pelo incentivo que representa o seu comentário.
Obrigado Tina pela interessante análise e palavras sempre simpáticas. Atenção à tradução da Epopeia dado que só recentemente (última década do Sec. XX), e após serem descobertas mais fragmentos com escrita cuneiforme, ela foi traduzida na sua totalidade. Houve edições antes (décadas de 1970 e 1980) mas incompletas.
Obrigado AC pelas reflexões que nos traz - que nos alertam ainda mais para a questão da verdadeira aprendizagem e para futuros cenários para a Humanidade, terrestes ou aquáticos, que não parecem tão longínquos como se julgava há alguns anos atrás.
Bem hajam~
VT