sábado, 10 de abril de 2010

A questão dos Pavilhões do Parque e do Museu de Cerâmica das C. da Rainha



 
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Há algum tempo atrás foi noticiado, pelo Presidente da Câmara Municipal, o desejo de integrar nos edifícios emblemáticos e de grande importância patrimonial que são os Pavilhões do Parque das Caldas - o futuro Museu de Cerâmica das Caldas da Rainha, composto pelo acervo existente no Palacete Visconde de Sacavém (actual Museu de Cerâmica das Caldas da Rainha) acrescido de outras aquisições efectuadas ou a efectuar. Esta notícia surge na sequência do actual Conselho de Administração do C Hospitalar Oeste Norte ter deliberado estar disponível para ceder parte daqueles Pavilhões para aquele efeito. Sucedeu-se alguma polémica sobre a matéria e não me furto a emitir a minha opinião como cidadão já que esta matéria e o futuro do Património Termal das C. Rainha (o Espírito de Lugar) tem importância não só local mas também nacional. Como alguém já chamou a atenção, está a colocar-se o “carro à frente dos bois”. Ou seja, em 1º lugar deve existir um projecto, para o futuro museu, que apresente a estratégia/lógica dos espaços e as áreas necessárias, após a inventariação dos diversos acervos. Esse projecto deverá ser, obviamente, ser executado pela actual equipa responsável pelo Museu de Cerâmica. Só depois se deveria procurar o espaço mais adequado. O actual recheio do Palacete Visconde de Sacavém e o próprio edifício são indissociáveis cultural, física e historicamente. O Palacete foi mandado construir, no final do Séc. XIX pelo Visconde – como “Atelier Cerâmico”. A sua própria ornamentação integra cerâmica original da colecção e da Fábrica do Visconde. Foi ainda palco da formação e de exposições de cerâmica de vários artistas caldenses. Tendo em conta todo aquele passado, o Estado adquiriu, em 1981, o edifício e respectivo acervo. Uma Comissão criada para o efeito instalou-o e inaugurou-o em 1983 com o nome de Museu de Cerâmica. Acresce que existem terrenos contíguos pertencentes à Câmara Municipal que poderiam adaptar-se como extensão do actual Museu de Cerâmica albergando novas colecções – amplificando-o e dignificando-o. Por outro lado a viabilidade das Termas Caldenses prende-se também com a necessidade de procurar manter toda uma herança patrimonial, transmitida ao longo de gerações durante mais de cinco séculos. É essencial a compreensão de que todo o Património Termal Caldense, associado ao H. Termal, tem não só como origem o legado da Rainha D. Leonor e sucessivas doações, mas também de que essas sucessivas doações obedeceram quase sempre a uma estratégia global para todo o Património Termal, articulando, ao longo do tempo, de um modo complementar e sinérgico as diferentes peças que compõe a actual Estância Termal das Caldas da Rainha. Foram excepção os Pavilhões que foram pensados e executados como Hotel (um modelo termal que continua actual) para os aquistas, complementando as outras peças da estância termal das C. da Rainha. Acabaram por ser, abrigo de refugiados de diversas guerras, quartel, estabelecimento de ensino, etc. O Futuro deveria conter a oportunidade de corrigir situações menos conseguidas no passado e adaptar os Pavilhões a uma função que se articulasse com o termalismo – potenciando-o. Aquele princípio que se tem transmitido, desde os antigos Provedores é afinal uma mais-valia fundamental para a estratégia termal e concelhia. Essa unicidade funcional significa que o eventual destino de cada uma das peças patrimoniais não deve ser pensado isoladamente, mas antes respeitando uma lógica que assentou numa agregação sucessiva de Património e não na sua desagregação. Em consequência da criação de um Centro Hospitalar do Oeste Norte / novo Hospital há uma nova “formatação” institucional voltada para a vertente Doente agudo/H. Distrital, tornando-se evidente que o “cordão umbilical” que ligava o H. Distrital das Caldas à Estância Termal, irá inexoravelmente enfraquecer. A instituição que vier a ser criada para gerir a Estância Termal das Caldas da Rainha irá precisar dos Pavilhões para (eventualmente como unidade hoteleira estendendo-se até à zona da Parada no Parque) conseguir viabilidade e sustentabilidade económica para o relançamento do termalismo nas Caldas da Rainha. Retirar-lhe essa hipótese no futuro é “cortar-lhe” as pernas à partida. Só a existência de algo muito ponderoso e importante poderá fazer considerar o aparecimento de outras soluções menos adequadas. Ou seja e em conclusão… O Museu de Cerâmica das Caldas (Nacional – ou não) deveria, em meu modesto entender, e após execução de projecto adequado, estender-se para os terrenos contíguos ao Palacete Visconde de Sacavém – preservando este como núcleo inicial. Os Pavilhões deveriam ser enquadrados/integrados, juntamente com o restante conjunto patrimonial termal das C. Rainha, numa nova Entidade (por exemplo: uma Fundação) - que, para além da respectiva gestão, privilegie um moderno relançamento do termalismo Caldense.

10 comentários:

Submarino Amarelo disse...

O Museu da Cerâmica das Caldas da Rainha é um equipamento importantíssimo para a nossa cidade. Municipal ou nacional, ele deve merecer toda a atenção e atrair vontades e investimentos.

O património do Hospital Termal deve ser preservado como um legado precioso e único e não deve, em nenhum caso, ser dividido ou "loteado".

Posto isto terminaria dizendo que só no caso de a integração física do Museu da Cerâmica servir uma estratégia global de relançamento do termalismo caldense (não vejo bem como, mas não sou especialista na matéria) esta solução deveria ser equacionada.Caso contrário a expansão do actual Museu não pode nem deve ser feita nos pavilhões, pelo menos enquanto não soubermos o que fazer com todo o património termal.

Anónimo disse...

Aqui está muita informação, muito conhecimento de facto e da realidade, sobre uma situação que pelos vistos é polémica......., como tantas outras por este Pais fora.
Lamentavelmente poucas são as situações em que verificamos respostas de "bom senso", com planos/estratégias, estudos e objectivos bem defenidos (sustentados) e que sobretudo tenham em conta os interesses de uma comunidade......
Lamentavelmente as decisões politicas, teem cada vez mais em conta "valores e interesses" individuais, resultando por isso em "atentados" ao espólio patrimonial....
Bom, o alerta está dado, a informação existe, será de "esperar", uma "intervenção com sentido" e "consentida"....
Abraço
AC

Teleobjetiva disse...

Procuro o nome de um músico inglês que ouvi aqui no seu blog e não encontro mais entre seus postais. Lembro que vc escreveu dizendo que gostava muito dele. Qual o nome do músico?

VT disse...

Sem prejuízo de um comentário final e correspondendo ao soliciado por Teleobjectiva julgo apesar de dar poucas pistas que poderá tratar-se de Richard Hawley. Ver posts dos dias 2-1-2010 (Green Door); de 14-92009 (The only road) e de 19-6-2009 (The Ocean).
VT

Teleobjetiva disse...

Gratíssima!

Anónimo disse...

Obrigada Vasco pela informação e opinião relacionads com o H Termal e Museu VS. A tua visão parece-me ter muita logica, concretamente quando dizes:
'A instituição que vier a ser criada para gerir a Estância Termal das Caldas da Rainha irá precisar dos Pavilhões para (eventualmente como unidade hoteleira estendendo-se até à zona da Parada no Parque) conseguir viabilidade e sustentabilidade económica para o relançamento do termalismo nas Caldas da Rainha. Retirar-lhe essa hipótese no futuro é “cortar-lhe” as pernas à partida. Só a existência de algo muito ponderoso e importante poderá fazer considerar o aparecimento de outras soluções menos adequadas.
Ou seja e em conclusão… O Museu de Cerâmica das Caldas (Nacional – ou não) deveria, em meu modesto entender, e após execução de projecto adequado, estender-se para os terrenos contíguos ao Palacete Visconde de Sacavém – preservando este como núcleo inicial. Os Pavilhões deveriam ser enquadrados/integrados, juntamente com o restante conjunto patrimonial termal das C. Rainha, numa nova Entidade (por exemplo: uma Fundação) - que, para além da respectiva gestão, privilegie um moderno relançamento do termalismo Caldense.'
Libania

VT disse...

Respondida a questão da Teleobjectiva resta-me agradecer o apoio à minbha tese por parte do Submarino Amarelo, de AC e da Libânia. Mais: Parabéns pela Vossa coragem comentando um tema que, apesar de ser da maior importância e do interesse de todos, parece desencadear alguns "medos" em alguns potenciais comentadores que ficaram calados.
Bem hajam
VT
PS: Esclarecendo ainda algumas vozes direi que na foto do meio os pavilhões estão reflectidos numa poça de água no lago vazio. O 1º plano de cor esbranquiçada é o fundo de cimento do lago do Parque D. Carlos I.

luisa - fotografia disse...

Fiquei esclarecida com os vossos comentários acerca de um assunto que desconhecia.Espero que tudo se resolva a fim de manter um património importante para a cidade das Caldas.
Mas não posso ir embora sem comentar estas belissimas fotos que parecem cenários de um qualquer filme de terror,mas que apresentam sinais de muita sabedoria sobre o elemento que se pretende dar a conhecer.Excelentes efeitos.Parabéns.

Gostaria de saber a sua opinião sobre umas fotos novas que publiquei.

luisa

António disse...

Foto cheia de humor caustico. Ou será do adiantado da hora e já não digo coisa com coisa...
AD

VT disse...

Obrigado Luísa pela sua visita sempre desejada e pelo comentário.
Tens razão António. Viste o não dito! De facto não foi por acaso uma 1ª foto a Preto e Branco com os Pavilhões a sumirem-se no meio do arvoredo como num filme de suspense e as fotos do seu reflexo (o sonho q não acontece) a cores...
Abraços
VT