domingo, 20 de setembro de 2009

Claridade

Janis Ian (n. em 1951) foi uma das compositoras e intérpretes norte-americanas mais interessantes das décadas de 1960 e 1970, continuando a actuar e a gravar até aos dias de hoje. Ella Fitzgerald considerou, Janis, na altura, a melhor jovem intérprete dos EUA. De facto, Janis, que começou a carreira aos 13 anos, tinha um enorme talento e era uma autêntica “força da Natureza”. As suas actuações ao vivo eram apaixonantes. A audiência ficava submergida por uma emoção que levava muita gente às lágrimas perante a paixão que Janis colocava nas suas interpretações. Um sopro mágico varria o auditório quando ela cerrava os olhos e começava a cantar, entrando nos silêncios mais profundas de cada ouvinte. Julgo que não foi suficientemente apreciada em Portugal e hoje quase ninguém a conhece (com excepção de um reduzido número de apreciadores – entre as quais me incluo). Por isso hoje trouxe Janis interpretando ao vivo (não podia deixar de ser) aquele que foi talvez o seu maior sucesso: “At Seventeen” - foi nº 1 no Billboard Adult Contemporary chart e nº 3 no Pop Singles chart em Setembro de 1975, vencendo o Grammy Award for Best Female Pop Vocal Performance em 1976, à frente de Linda Ronstadt e de Olivia Newton-John, tendo sido ainda nomeado como "Record of the Year" e "Song of the Year". Trata-se de uma canção, escrita durante 1973 e gravada no ano seguinte, sobre o sofrimento de uma adolescente que se sente incompreendida e só, julgando que ninguém repara nela e nunca viria a ser cortejada (“love was meant for beauty queens”) por algum colega do liceu (“Valentines that never comes”). Como se existisse, para ela, apenas um caminho sem saída e onde se descortinava apenas o nevoeiro das desilusões. Não reparava ainda que afinal há uma claridade âmbar iluminando um espaço sépia sem tempo que habita dentro de nós. Brilha mais quando ouvimos "At Seventeen" cantado por Janis Ian.
VT
“To those of us who knows…”
At Seventeen – Janis Ian

7 comentários:

Eva Gonçalves disse...

My God I haven't heard this in ages!! Thank you so much!:)Do you know...this was one of my favourite songs when I was younger!! Ouvia isto constantemente!! E passava na rádio (no tempo em que a rádio passava grande música...),mas devo dizer que realmente, não conheço mais dela,nem fazia ideia que continuara a gravar, mas vou procurar!!

Cumprimentos

Eva Gonçalves disse...

:)) I still remembered all the lyrics too...it's just the sort of thing a teenaged girl would like...
thanks again!

Magnolia disse...

Há tanto tempo que eu não ouvia esta musica....Que saudades...
Bjs

Submarino Amarelo disse...

Janis Ian tem uma carreira invulgar,recheada de grandes discos e grandes músicas.
Não me vou referir a At Seventeen, já amplamente gabado, mas aos três momentos mais marcantes da autora intérprete:
- 1967. com quinze anos grava o seu primeiro disco, integralmente composto por ela, e vê o single "Society's Child (Baby I've Been Thinking)" simultâneamente elogiado e difundido por Leonard Bernstein e proibido nos EUA. Uma estória de amor inter-racial cantada por uma adolescente era intolerável...
Depois de vários álbuns magníficos (e ignorados) Janis Ian deixa de gravar em 1971 mas regressa em
- 1974 com Stars, uma reflexão amarga sobre o showbusiness. O tema-título (magnífico, com um poema devastador) torna-se um êxito nas interpretações de Roberta Flack e Joan Baez(aconselho o original).
1993 - Breaking Silence , Janis assume a sua homossexualidade num disco emocionante e intimista que não é possível ouvir sem um arrepio...
Reparem que continua a gravar e actuar até hoje, os seus discos estao disponíveis nos locais habituais.É uma das poucas compositoras/intérpretes contemporâneas de que vale a pena ter tudo.

VT disse...

Ian casou com o realizador português Tino Sargo em 1978 e divorciou-se em 1983.
Actualmente vive em Nashville, Tennessee, com a advogada Patricia Snyder, com quem casou em Toronto, Canada em Agosto de 2003.
VT

luisa - fotografia disse...

Lindissima foto com aquela tonalidade muito serena e bela. :)

Anónimo disse...

Mais uma associação perfeita entre imagem e som, "caminhos"/"estradas" e tudo o mais que possamos chamar, são vários...e tambem vão modificando á medida que o tempo passa, construindo um história muito propria onde somos "agentes activos"...anos 60/70, decadas dos "Monstros Sagrados" na area artista/musical...,Excelente.
AC