quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Um Bom Gigante

Este pinheiro manso, de porte fora do comum (tem mais de 30m de altura quando em geral esta espécie não ultrapassa os 20m) , situado na Mata das Caldas logo acima (nascente) da captação AC2, tal como o cedro do “post” anterior, deverá ter mais de 300 anos, De facto, tal foi a opinião dos especialistas, como o Professor Fernando Catarino durante visita que efectuou a este espaço verde - quando ainda era responsável pelo Jardim Botânico de Lisboa. Isto torna-o mais um caso único já que habitualmente esta espécie não ultrapassa os 250 anos de vida. Teria sido portanto, durante o Sec. XVII que este bom gigante iniciou a sua vida. Um século em que a vila tinha apenas 193 fogos e cerca de 800 habitantes (1656), em que o Infante D. Afonso e D. João IV vinham tratar-se com as água termais, e em que o Hospital Termal era administrado por Provedores, como Frei Jorge de São Paulo que viria a falecer, em 1664, depois de nos ter deixado uma obra fundamental: “História da Fundação deste Hospital Real”. Frei Jorge de S. Paulo que descreve, deste modo, os terrenos arborizados que rodeavam, então, o Hospital e às quais se tinha acesso através de uma “escadaria a norte da sala dos Reis”: “… Dilatados bosques, alegres jardins (…) depositado tudo no coração do grandioso circuito deste generoso Hospital, cercado todo em torno de fortes muros capazes de sua segurança e guarda dos frutos que a natureza produzir e a humana industria beneficiar; recreação ordinária dos religiosos que nem sempre ocupam os oratórios com suas pessoas pois se reservam horas para descanso da humanidade que para esse honesto fim se plantam amenos bosques e bem sombreadas alamedas, se cultivam jardins e se buscam as correntes das cristalinas águas… ”. Recentemente houve que libertar este venerável pinheiro de vários arbustos “infestantes” que tinham surgido em sua volta impedindo a sua adequada iluminação. Imaginamos pois que antes de estender os seus braços como tentáculos ao vento e as suas raízes descerem por entre constelações subterrâneas e outros mistérios na profundidade da terra, a sua juventude atravessou o segredo do bosque das Caldas, embalada pelo eco dos sinos da Igreja do Hospital nas manhãs que entravam pelos campos adentro.
VT


Bells Across The Meadows - Albert W. Ketelbey

7 comentários:

Eva Gonçalves disse...

Engraçado como a primeira coisa em que pensei ao ler o seu texto, não foi na magnífica árvore ( e magnífica foto, by the way...), mas como na natureza, também há filhos e enteados...ou seja, como para iluminar uma árvore, foi preciso "matar"(ou pelo menos danificar )os arbustos infestantes... veio um pouco a despropósito,e não querendo desvalorizar o lindo pinheiro, mas foi realmente no que pensei. Não percebo nada de botânica, mas temos tendência a ter mais respeito por certas espécies do que por outras...e isso é interessante. Enfim...

Anónimo disse...

Los Pinos

Los unos altíssimos
los outros menores,
con su eterno verdor y frescura,
que inspira a las almas
agrestes canciones,
mientras gime al rozar con las aguas
la brisa marina, de aromas salobres,
van en ondas subiendo hacia el cielo
los pinos del monte.

De la altura la bruma desciende
y envuelve las copas
perfumadas sonoras y altivas
da aquellos gigantes
que el castro coronan;
brilla en tanto a sus pies el arroyo
que alumbra risueña
la luz de la aurora,
y los cuervos sacuden sus alas,
lanzando graznidos
y huyendo la sombra.

El viajero rendido y cansado
que ve del camino la línea escabrosa
que aún le resta que andar, anhelara,
deteniendose al pie de la loma,
de repente quedar convertido
en pájaro o fuente,
en árbol o en roca.

Rosalía de Castro

FC

Cris disse...

Absolutamente fantastica a fotografia!!parabéns

Magnolia disse...

Um dia ficas árvore...ou musica...:)
Bom fim de semana

VT disse...

Agradecendo os comentários e o oportuno poema, diria apenas acerca das espécies infestantes: tornou-se fundamental optar entre, deixar os arbustos e o mato "infestante", com apenas algumas décadas, continuar a crescer e a liquidar as árvores que fazem parte de um conjunto que deveria estar classificado como de interesse público (e com o perigo acrescido de incêndio) - ou o contrário.
Bem hajam
VT

Eva Gonçalves disse...

Creio que o meu comentário possa ter sido mal interpretado... não queria de modo nenhum desvalorizar a necessidade de preservar e zelar por estas árvores centenárias. Aliás, tenho um respeito incomensurável pelas árvores. Apenas referi os arbustos infestantes, como um aparte de que me tinha apercebido e como é verdade que manipulamos a natureza e achei interessante esse facto, para reflexão...
Acrescento aliás... que não é só na natureza, que há filhos e enteados...aqui no seu blogue também parecem haver...uma vez que há quem nunca tenha recebido umas boas-vindas! (para esclarecer...se for caso disso, o meu sentido de humor, direi que não era uma reclamação...apenas uma constatação...e mais do que isso, uma piada!!) :))
Cumprimentos, e bom fim-de-semana

VT disse...

Tem razão a Eva Gonçalves. Costumo ser cuidadoso e dar as boas vindas a novos(as) comentadores. Verifico, agora, que por distração não o fiz quando surgiu a Eva (num post com o tema "Summer Place"). Assim sendo apresento as minhas desculpas, esperando a compreensão de quem sabe que não foi feito intencionalmente.
VT